Para marcar o Dia Internacional dos Portadores do Mal de Parkinson, comemorado hoje, a Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa realizou ontem audiência pública que analisou a situação atual da doença na Bahia e no Brasil e os programas públicos de assistência ao doente. "Não há nada a comemorar", disse o presidente do Gru-parkinson – Grupo de Parkinsonianos da Bahia. Genaro Couto chamou a atenção para a necessidade de haver maior conscientização e sensibilidade não somente por parte do doente, mas, em especial, dos poderes públicos, uma vez que a enfermidade "não mata, mas maltrata".
Há dificuldades de toda ordem, declarou Couto, listando as impossibilidades físicas dos portadores de Parkinson e as de cunho legal e burocrático. Segundo ele, a entidade que preside vem realizando pleitos junto ao governo federal para que isente de impostos a importação de um chip utilizado em importante cirurgia de estímulo cerebral, hoje estimada em R$ 100 mil reais. Este procedimento não é coberto pelos planos de saúde. E ao governo do Estado, Genaro Couto apelou para que não deixe faltar remédios de uso contínuo e fundamentais para o controle dos sintomas.
INVESTIMENTOS
O coordenador de Assistência Farmacêutica da Secretaria Estadual de Saúde, Lindemberg Assunção, garantiu que há estoque dos medicamentos para os próximos oito meses. E mais, que o governo da Bahia tem assegurado também a doação de remédios para doenças adicionais ao parkinsonismo, como hipertensão e diabetes. O Estado investiu no ano passado, no programa de distribuição gratuita de medicamentos, R$ 155 milhões e dobrou o número de parkinsonianos atendidos. "Não somos burocratas. Temos sensibilidade", disse, lembrando que o governo assiste também a portadores de outras enfermidades incapacitantes e tem gasto, com apenas 21 pacientes de uma doença raríssima, R$ 15 milhões ao ano.
"E mais, somos o único estado do país a fornecer gratuitamente medicamentos para fibrose cística. Todos os demais estados brasileiros só os concedem mediante ação judicial." A Bahia aumentou também o rol de doenças englobadas na assistência básica e o total já atinge 150 enfermidades. Quanto ao mal de Parkinson, o Estado possui cerca de 20 mil doentes (seis mil na Região Metropolitana de Salvador), 2,4 mil deles assistidos gratuitamente pela Sesab.
Uma das queixas apresentadas por Genaro Couto, do Gruparkinson, é quanto ao fato de o Estado fornecer um medicamento e o município, outro, dificultando ainda mais "a vida do doente". O presidente da Comissão de Saúde, deputado José de Arimatéia (PRB), autor da proposta da audiência pública, quis saber se há planos para a unificação deste procedimento. "Há", disse Lindemberg Assunção. Mas há também certos impedimentos ditados por portaria do Ministério da Saúde, instância que determinou a divisão da distribuição dos medicamentos.
Ainda no âmbito da Secretaria da Saúde do Estado, os parkinsonianos contam também com o Centro de Referência do Idoso (Creasi), que presta assistência integral não apenas ao doente, mas aos cuidadores também, sejam eles profissionalizados ou familiares. Para os portadores, o Creasi oferece o Ambulatório de Movimentos Involuntários, assistência integral de uma equipe composta por nove categorias de profissionais e 10 medicamentos. Aos cuidadores são oferecidos orientação e suporte nos segmentos de enfermagem, terapia ocupacional e psicologia.
RISCO
Quanto à Prefeitura de Salvador, as ações estão voltadas para a capacitação profissional. Este ano deve acontecer um destes eventos em parceria com a Universidade Federal e com laboratórios, informou Isabel Cristina, profissional da área técnica de assistência ao idoso. Os gestores públicos presentes à audiência pública destacaram a importância de se prestar atenção aos sintomas iniciais do mal de Parkinson, uma doença do sistema nervoso central que destrói neurônios e afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos. "Muitos não sabem que têm a doença", assegurou Genaro Couto.
A enfermidade não tem cura, nem causas definidas, mas há fatores de risco já identificados como, por exemplo, a idade. A doença é tipica de idosos e aparece por volta dos 60 anos de idade, mas, segundo Genaro Couto, já há casos registrados em jovens e crianças. Familiares de pacientes têm maior risco de desenvolver a doença, mais comum em homens que em mulheres. Outro fator de risco são traumas no crânio. Isolados ou repetitivos, como nos lutadores de boxe, eles podem lesar os neurônios.
Os sinais e sintomas de Parkinson são motores e não motores. Os sintomas motores são os tremores que ocorrem principalmente quando o paciente está em repouso e melhora quando em movimento. Começam em uma das mãos, normalmente com movimentos entre o dedo indicador e o polegar, como se estivesse contando dinheiro. Com o passar dos anos, a doença avança e os tremores alcançam outros membros.
Há sintomas mais graves ainda que são os movimentos lentos, os mais incapacitantes. O paciente sente-se cansado, com intensa fraqueza muscular e sensação de incoordenação motora. Tarefas simples tornam-se muito difíceis, como abotoar uma camisa, digitar no computador, pegar moedas dentro do bolso ou amarrar sapatos. Com o tempo, até andar fica difícil. Há, ainda, alterações neurológicas como demência, depressão, ansiedade, memória fraca, alucinações, psicose, perda do olfato, constipação intestinal, dificuldades para urinar, impotência sexual, raciocínio lento e apatia. Não há cura para o mal de Parkinson, embora os tratamentos sejam eficientes no controle dos sintomas, sendo importante a prática de exercícios regulares para retardar os sintomas motores da doença.
À medida que a população envelhece, aumentam os casos de Parkinson e a previsão é de que o problema se agrave nos países em desenvolvimento onde a população está vivendo mais. O Brasil se encontra na lista de nações onde a doença irá dobrar dentro de 18 anos – o número de indivíduos com Parkinson nesses países aumentará de 4,1 para 8,7 milhões até 2030.
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