Mesmo com o advento da tecnologia, a voz dos professores ainda é o principal instrumento de transmissão de conhecimento dentro da sala de aula. E é para proteger esse patrimônio que o deputado Aderbal Caldas (PP) apresentou projeto de lei que dispõe sobre a criação do Programa Estadual de Saúde Vocal do Professor da rede estadual de ensino. O objetivo da proposta, segundo o parlamentar, é desenvolver ações preventivas contra a disfonia entre os representantes do magistério estadual.
A implantação do Programa Estadual de Saúde Vocal tem como objetivo promover a realização de um curso teórico-prático anual, antes do início do ano letivo, com vistas a orientar os professores sobre o uso adequado da voz no exercício da profissão. "Geralmente, o professor só procura um especialista, um fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista quando a lesão já se encontra instalada. Com a prevenção, portanto, pode-se evitar o incômodo do afastamento do professor por licença médica para tratamento, o que causa, muitas vezes, transtornos aos alunos e prejuízo financeiro ao erário público", argumenta o deputado pepista.
Aderbal Caldas destaca que apesar de ser um projeto eminentemente preventivo, a proposição prevê a garantia ao professor da rede estadual de ensino o acesso ao tratamento especializado, seja com um fonoaudiólogo, seja com um médico, uma vez detectada alguma disfonia.
A disfonia – sintoma relacionado a qualquer dificuldade que impeça a produção natural da voz – recebe importante enfoque ocupacional quando relacionada ao uso profissional da voz, por ser tão comum na atividade docente. "O distúrbio da voz é muito comum e prevalente entre os professores."
RISCOS
A dificuldade na emissão perfeita da voz pode se manifestar por meio de uma série de alterações, como esforço à emissão, dificuldade de manter a altura e amplitude do som, variação da qualidade vocal, cansaço ao falar, rouquidão, falta de volume e projeção, perda da eficiência vocal e pouca resistência ao falar. Os principais fatores de risco estão associados às condições inadequadas de trabalho ou à ausência da capacitação para uso profissional da voz.
As alterações orgânicas vocais entre os professores ocorrem por força do exercício diário da profissão, em média, após 10 anos de trabalho. As diferenças de ambiente e de disciplina ministrada podem predispor o professor à disfonia em menor tempo de uso inadequado da voz no desempenho da profissão. "Observa-se que os cursos de magistério e pedagogia encontram-se ainda desprovidos, em seus currículos, de material orientador que proporcione a prevenção dos males vocais", destaca o parlamentar.
Caldas alerta que é preciso observar o comportamento vocal dos professores porque é cada vez maior o número de profissionais da área com alterações vocais pela ausência de conscientização sobre a importância deste instrumento de trabalho. Entre as lesões benignas de laringe, o nódulo vocal é mais frequente em professores que apresentam hábitos e condutas inadequados de emissão de voz, como abuso contínuo e desconhecimento dos cuidados básicos para a manutenção da saúde e qualidade da voz para o uso das atividades dentro da sala de aula.
"O ideal para evitar as manifestações vocais tão desfavoráveis a esta laboriosa classe é o trabalho de prevenção proposto pelo Programa Estadual de Saúde Vocal, que o projeto de lei apresentado pretende criar", defendeu Caldas.
As despesas decorrentes da execução ficarão por conta das dotações orçamentárias próprias, prevê o projeto. Consta no projeto de lei que caberá às secretarias da Saúde e da Educação a incumbência de selecionar estratégias para viabilizar a execução do programa, sempre sob a orientação e avaliação de um profissional da área de fonoaudiologia.
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