O Dia Internacional de Combate ao Racismo foi celebrado na Assembleia Legislativa, na manhã de ontem, em audiência pública realizada na Comissão Especial de Promoção da Igualdade. Com o objetivo de traçar um panorama dos avanços e desafios do combate à discriminação racial na Bahia, o encontro reuniu entidades do movimento negro e diversos segmentos sociais organizados. Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente do colegiado, deputado Bira Corôa (PT), que destacou a importância da comissão no debate. "Este é um espaço político-institucional que tem buscado fomentar as discussões sobre promoção da igualdade com a presença de representações legítimas da sociedade baiana em geral."
Para o membro da coordenação do Movimento Negro Unificado (MNU), Cal Bulhosa, a realização da audiência indica a força e importância que o tema vem ganhando na sociedade e, sobretudo, no âmbito do Poder Legislativo. Bulhosa destacou pontos polêmicos estabelecidos pelo racismo, a exemplo da violência policial a pessoas negras e a intolerância religiosa. O representante do MNU pontuou que negros e moradores da periferia são as maiores vítimas da violência na Bahia e nos grandes centros urbanos do país. "A PM promove a violência policial no espaço público, sobretudo contra classes socioeconômicas desfavorecidas. Sou a todo momento parado dentro do bairro da Liberdade, onde resido, por um policial negro me perguntando onde está a maconha, sendo que não sou nem nunca fui usuário de drogas", disse.
Além disso, Cal Bulhosa criticou os atos de violência decorrentes da intolerância religiosa e defendeu a liberdade de crença das religiões de matriz africana. O tema também foi pautado pelo deputado Bira Corôa, que lembrou da agressão sofrida pela mãe de santo Bernadete Souza dos Santos, 42 anos, que foi jogada em um formigueiro por policiais militares em Ilhéus, no Sul do Estado. "Enquanto mãe Bernadete, algemada, era arrastada pelos cabelos por quase 500 metros e em seguida jogada na viatura, os policiais, numa clara demonstração de racismo e intolerância religiosa, gritavam: ‘Fora satanás!’ Não podemos permitir que atos como esse não sejam punidos. O Estado é laico e deve assegurar o direito da liberdade religiosa", protestou o parlamentar.
Também compuseram a mesa de discussão Eriosvaldo Menezes, superintendente de Promoção da Igualdade de Lauro de Freitas; e Marcos Rezende, coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras (CEN), que representa mais de 1.100 terreiros em 18 estados. O Dia Internacional de Combate ao Racismo foi instituído pela ONU, em memória ao massacre de 21 de março de 1960, cometido pela polícia do apartheid contra a população negra do bairro de Shaperville, em Joanesburgo, quando protestavam pacificamente contra a obrigação de portar cartões de identificação para circular em locais preestabelecidos. Mais de 180 pessoas ficaram feridas e 69 foram mortas.
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