Um reconhecimento ao patriotismo e ao valor cívico de um militar que se dedica à missão de defender a soberania nacional. Foi assim que o deputado Alan Sanches (PSD) definiu sua iniciativa de homenagear o comandante do II Distrito Naval, vice-almirante Carlos Autran Oliveira Amaral, com o título de cidadão baiano. Acolhida pela unanimidade da Assembleia Legislativa, a distinção foi entregue, na tarde de ontem, em uma concorrida sessão especial à qual compareceram parlamentares, representantes das três forças militares, autoridades de estados, amigos e parentes do homenageado.
"Senhoras e senhores, este potiguar se rendeu à magia de Salvador, assumiu a baianidade e, com o coração aberto, integrou-se totalmente aos nossos costumes e à sociedade, em meio à qual é bastante querido", definiu o parlamentar em seu discurso de saudação, destacando que "são notórios o seu entusiasmo pela Bahia e os seus serviços prestados". Para Alan, a operosidade que tem caracterizado o comando de Autran, nos quase dois anos à frente do II Distrito, é digna de gratidão de todos os baianos.
Em seu discurso, Alan fez questão de enfatizar que, além de ocupar o mais alto posto da Marinha no estado, Autran guarda "forte ligação com a Bahia", demonstrando sempre o orgulho e a honra de ter a nora Mirela, também pertencente à armada, e um neto baianos. O deputado não esqueceu de citar algumas das realizações do vice-almirante à frente do II Distrito, citando os melhoramentos na Capitania de Juazeiro, a construção da vila naval, além de benefícios levados a Porto Seguro, Bom Jesus da Lapa, Pirapora e na própria sede, em Salvador.
SONHO
Logo após receber a placa honorífica das mãos de Alan, da esposa Maria Cristina, do filho Bernardo e da nora Mirela, Carlos Autran ocupou a tribuna para fazer o agradecimento, demonstrando que nutria mais do que orgulho pelo seu filho ter trazido a Bahia para dentro de sua família. Ele lembrou que sua relação com o estado começou ainda nos anos 50, época em que viveu por três anos e meio, enquanto seu pai, também oficial da Marinha, se encarregava da construção da Base Naval de Aratu.
"Vivi intensamente minha infância, frequentei o Grupo Escolar São Tomé, onde fui alfabetizado", contou, lembrando que o nascimento do irmão na Bahia fez surgir o "sonho pueril de também ter nascido baiano". Segundo ele, nem mesmo a distância, após o deslocamento do pai para o Rio de Janeiro, fez morrer este sonho, que acabou de se concretizar na tarde de ontem.
ALTIVEZ
O vice-almirante credita à entrada para a força militar um favorecimento para ter o sonho cumprido. "A Marinha tem uma forte ligação com este estado", definiu, lembrando das lutas da recém-criada armada, ao lado da flotilha de João das Botas, durante as batalhas do Dois de Julho. Lembrou também a altivez do ministro da Marinha, almirante Marques de Leão, durante a presidência de Hermes da Fonseca, que renunciou ao cargo por discordar da ordem de bombardear Salvador para garantir a posse do governador interventor, J.J. Seabra.
"O cargo que ora exerço me permitiu ampliar e diversificar meu conhecimento sobre o estado", revelando ter consciência de que não sabe tudo sobre a Bahia, mas que foi capaz de agregar o conhecimento mínimo indispensável que um cidadão baiano tem de ter do seu estado natal.
GRATIDÃO
O militar reservou as últimas palavras para agradecer "aos inúmeros atores que participaram da história de minha vida", citando primeiramente Deus e Alan Sanches, "amigo que submeteu ao plenário meu nome, e às lideranças desta Casa, que acolheram e aprovaram a proposta". Ele ressaltou também a contribuição dos seus subordinados do II Distrito Naval e "aos meus amigos e amigas que nos acolheram, a mim, minha esposa e meu filho, grande parte dos quais vejo aqui presente. Os pais, almirante Autran e Jacy, também foram citados, antes de um agradecimento especial à companheira de 40 anos, Maria Cristina, que se desfez em lágrimas ao ouvir do marido ser ela "a musa inspiradora e mola-mestra da minha vida."
O evento foi aberto com a execução do Hino Nacional pela banda da Marinha, logo após a composição da mesa dos trabalhos, que contou com a presença do vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Carlos Alberto Dultra Cintra; o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito; o ex-governador Waldir Pires, o deputado federal Nelson Pelegrino (PT-BA), o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa; o chefe do Estado-Maior da 6a Região Militar, coronel Guilherme José da Costa; o subcomandante da Base Aérea de Salvador, coronel-aviador Sampaio; o chefe da Casa Militar da Governadoria, coronel Rivaldo, representando o governador Jaques Wagner; o diretor da Agerba, Eduardo Mesquita, representando o vice Otto Alencar; o procurador geral de Justiça Adjunto, José Brito; o procurador chefe da União na Bahia, Maxilian Santana; o chefe de gabinete do comandante geral da PM, coronel Santiago, e Claudelino Miranda, membro da Sociedade Amigos da Marinha. O evento foi encerrado com os hinos ao Dois de Julho e da Marinha.
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