A saúde pública no Brasil ainda tem muito o que avançar, mas, para isso, é preciso reconhecer, primeiro, os progressos do SUS, único sistema gratuito existente no mundo em países com população acima de 100 milhões de habitantes. Esse foi o tom do discurso do secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, durante sessão especial em homenagem à Campanha da Fraternidade, que neste ano tem a saúde pública como tema, realizada na sexta-feira, pela manhã, na Assembleia Legislativa.
Segundo o secretário, é preciso, também, que se esclareça a mentira de que o SUS é um "programa pobre, voltado aos pobres". "Todos usam o SUS", afirmou Solla, garantindo que dos usuários do sistema, "30% utilizam junto com o plano de saúde privado e 70% utilizam apenas o serviço público."
Ainda de acordo com o secretário, o Sistema Único de Saúde atende a "97% dos procedimentos de hemodiálise e a mais de 90%" das sessões de quimioterapia e de cirurgias cardíacas realizados no país. São um milhão de internamentos a cada mês, disse Solla, ao defender o sistema e rebater as críticas quanto à má gestão. "Uma passagem de ônibus vale mais do que os recursos que são destinados ao SUS", disse. Segundo ele, somado todo o dinheiro público (da União, dos Estados e dos Municípios) investido em saúde no ano de 2010, coube ao SUS R$ 1,98 ao dia por cada paciente atendido, incluindo os que requeriam procedimentos de alto custo e tecnologia.
MÉDICOS
Quanto à Bahia, entre 2007 e hoje, mais de 800 postos de saúde foram implantados, com recursos do Estado e da União, e neste ano mais R$ 130 milhões serão liberados pelo governo federal para reforma e ampliação de outros postos. Cinco hospitais foram construídos e mais 1.218 leitos passaram a funcionar. Mas "não dá para fazer saúde pensando apenas em espaço físico", alertou. É necessário atenção para a formação de profissionais. "A Bahia é o 25o pior estado em formação de novos médicos", disparou o secretário, lembrando que somente há dois anos o Estado começou a formar neurocirurgiões.
Os avanços na área da saúde também foram defendidos pelo deputado Yulo Oiticica (PT), autor da convocação da sessão especial. O parlamentar agradeceu à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por trazer o debate à tona e lançar à sociedade a reflexão sobre "este direito humano e social". A existência de um "governo democrático e popular" como o da Bahia "nos convoca à responsabilidade de realizar este debate", disse Oiticica.
Para ele, as conquistas registradas na Bahia igualmente merecem destaque, como, por exemplo, o fato de hoje o Samu funcionar "em mais de 300 municípios" e a perspectiva de serem inauguradas ainda este ano 49 novas Unidades de Pronto Atendimento em todo o Estado. O governo Wagner, disse ele, investiu na área R$ 75 milhões somente no ano passado, conquistas essas que devem e precisam avançar. Yulo Oiticica aproveitou a sessão especial para homenagear os serviços prestados pelo padre André Seutin, da Pastoral da Saúde, a Salvador e às paróquias onde atuou.
CAMPANHA
A 49ºª Campanha da Fraternidade foi lançada oficialmente na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma, quando a liturgia da Igreja convida os fiéis a se prepararem para a Páscoa, através da conversão, oração, jejum e doação de esmola. A campanha, um dos principais eventos da Igreja Católica no Brasil, é realizada todos os anos com a intenção de despertar a atenção e solidariedade para problemas concretos, buscar caminhos e apontar soluções. Neste ano, o tema central é Fraternidade e Saúde Pública, e o lema "Que a saúde se difunda sobre a Terra". A ideia da CNBB é induzir à reflexão sobre o cenário da saúde no Brasil.
No discurso de lançamento da campanha, o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, comentou sobre os "significativos avanços" verificados nas últimas décadas, como o aumento da expectativa de vida da população, redução da mortalidade infantil, erradicação de doenças infecto-parasitárias e a eficácia da vacinação e do tratamento da Aids, elogiada internacionalmente. Mas ressaltou que a saúde pública no país "não vai bem". Os problemas verificados são reflexos do contexto mais amplo de nossa economia de mercado, hoje globalizada, que não tem, muitas vezes, como horizonte os valores ético-morais e sociais."
Dom Leonardo levantou pontos que ainda não são completamente sanados pelo governo. "Com a Campanha da Fraternidade de 2012, a Igreja deseja sensibilizar a todos sobre uma das feridas sociais mais agudas de nosso país: a dura realidade dos filhos e filhas de Deus que enfrentam as longas filas para o atendimento à saúde, a demorada espera para a realização de exames, a falta de vagas nos hospitais públicos e a falta de medicamentos. Sem deixar de mencionar a situação em que se encontra a saúde indígena, dos quilombolas e da população que vive nas regiões mais afastadas", destacou dom Leonardo.
Aqui na Bahia, o deputado Yulo Oiticica colocou, nesta sexta, publicamente, seu mandato à disposição das lutas encampadas pelo Conselho Indigenista Missionário e anunciou que, enfim, está regularizada a situação do índio pataxó hã-hã-hãe que assumirá função de assessoria em seu gabinete. "Queremos universalizar o direito à saúde sem identificar raça ou gênero", garantiu.
A sessão especial foi aberta pelo presidente Marcelo Nilo e contou com a participação da comunidade católica de Salvador. A mesa diretora dos trabalhos teve a seguinte composição: deputado Oiticica, secretário Jorge Solla; dom Gilson Andrade da Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador e representante de dom Murilo Krieger, arcebispo primaz do Brasil; deputados federais Nelson Pelegrino e Amauri Teixeira; padre Renato Minho, representando o Comando Geral da Polícia Militar; Ariselma Pereira, diretora da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac); padre André Seutin, coordenador da Pastoral da Saúde; Dalva Monteiro, professora adjunta do Departamento de Saúde do colegiado de medicina da Universidade Estadual de Feira de Santana; Jéssica Sinai, diretora do Núcleo de Organização Popular de Pau da Lima; José Silvino Gonçalves dos Santos, coordenador do Conselho Estadual de Saúde, e por Marilene Santana de Jesus, representante dos usuários do SUS.
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