MÍDIA CENTER

Comissão de Saúde debate crise no Hospital Aristides Maltez

Publicado em: 07/03/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

O evento contou com a participação de representantes dos mais diversos setores da sociedade
Foto:

Principal referência no tratamento contra o câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia, o Hospital Aristides Maltez (HAM) corre o risco de fechar as portas por conta da atual crise financeira. Para colocar o assunto em pauta com o Governo do Estado e apresentar propostas de melhorias, a Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa promoveu um amplo debate da manhã de ontem, no plenarinho da Casa. O encontro foi proposto pelo presidente municipal do PSD, Alan Sanches, em parceria com o presidente do colegiado, Pastor José de Arimatéia (PRB) e a petista Luiza Maia. Além de deputados estaduais, estiverem presentes autoridades municipais, profissionais de saúde, integrantes de movimentos sociais e dirigentes da instituição filantrópica.
De acordo com o presidente da Liga Baiana Contra o Câncer (LBCC), o médico Aristides Maltez Filho, o montante da dívida da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) com a instituição está calculado em mais de R$ 13 milhões. Os débitos principais estão relacionados à compra de medicamentos, de materiais cirúrgicos e também do pagamento de funcionários. A unidade hospitalar, que possui 218 leitos, realizou 9,5 mil cirurgias no ano passado, atendendo a 11.400 mil pessoas, com 169 mil aplicações de radioterapia, em 21.200 mil ciclos de quimioterapia. No momento, a taxa de ocupação é de 90%.
"O nosso relacionamento com a SMS é o mais destoante possível, chega à beira do escândalo. Nós estamos com um débito acumulado que compromete a estrutura financeira do hospital e vem inviabilizando a continuidade do atendimento à população carente da Bahia", disse.
O diretor contou ainda que, se não fossem as doações da sociedade, que em 2011 totalizou R$ 4,5 milhões, o hospital estaria parado, já que desde janeiro não recebe nenhum repasse da prefeitura. Apesar disso, Maltez Filho assegurou que o atendimento aos pacientes continua sendo feito de forma regular e não há atraso no pagamento de funcionários e fornecedores. "O Aristides Maltez não simula e não fabrica câncer. Vivemos como a ostra, entre a maré e o rochedo. Vamos continuar atendendo quantos pacientes chegarem ao hospital", afirmou.

TENSÃO

Para a vice-presidente da comissão, deputada Graça Pimenta (PR), cabe ao Estado e ao município resolver de imediato a situação de tensão em que vive o HAM. "O Hospital Aristides Maltez representa um patrimônio coletivo da Bahia. São 60 anos de bons serviços prestados pela preservação da vida humana e proteção à saúde. É o abrigo de todos os pacientes acometidos de graves enfermidades, muitos dos quais não cultivam mais esperanças de recuperação do maior bem que existe: a saúde. Hoje, o hospital que cuida de enfermos, paradoxalmente, está enfermo, necessitando da boa vontade de todos para não perecer e fechar as portas, que permaneceram generosamente abertas, por várias décadas, para acolher a todos", declarou Graça.
O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), prefeito de Camaçari Luiz Caetano, destacou que este é um assunto que deve ser tratado pelos poderes públicos independentemente de partidos políticos. Segundo ele, um levantamento feito pela UPB constatou que dos 417 municípios baianos, 409 utilizam os serviços prestados pelo Hospital Aristides Maltez. "Não podemos deixar que este hospital feche. Precisamos ajudar. Convocamos todos os gestores para ajudar no que for possível", frisou. A mobilização da UPB tem como objetivo fazer com que os gestores municipais celebrem convênio com o hospital para colaborar na manutenção.
"Sabemos da necessidade e do benefício do Hospital Aristides Maltez para o nosso estado. Não desmerecendo nenhum dos prestadores da saúde, mas esta unidade merece um olhar diferenciado. Isso é vida, não é comércio. E para tratar de vida precisamos de uma atenção especial", completou o deputado Alan Sanches.

ANÚNCIO

A situação de crise e ameaça de fechamento do Aristides Maltez será levada ao Ministério da Saúde, em Brasília. O anúncio foi feito pelo superintendente da Regulação da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), Andrés Alonso, que esteve na reunião representando o secretário Jorge Solla.
De acordo com ele, Solla e o prefeito de Salvador, João Henrique, serão recebidos em audiência pelo ministro Alexandre Padilha. Na pauta, a questão do aumento do teto do repasse de verbas federais para o Hospital Aristides Maltez, atualmente num patamar de R$ 5,7 milhões.



Compartilhar: