O governador Jaques Wagner leu em 35 minutos a mensagem que encaminhou ao parlamento na solenidade de reabertura dos trabalhos legislativos, ontem, pela manhã, na Assembleia Legislativa da Bahia. Foi interrompido por aplausos em duas oportunidades, quando abandonou o texto escrito para, de improviso, reafirmar a sua condição de democrata, abordando a greve da Polícia Militar, a ocupação da Assembleia e suas consequências.
O presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo, também tratou do episódio em seu discurso e lembrou que existem limites para tudo, sobretudo quando está em jogo a segurança e a vida dos que participaram e dos que sofreram as consequências do movimento. As mais altas autoridades civis, militares e eclesiásticas da Bahia prestigiaram a sessão solene, que foi encerrada às 11h20.
RECEPÇÃO
A cerimônia de reabertura começou pontualmente às 9h30, sob chuva fina, com o presidente Marcelo Nilo passando em revista uma tropa integrada por cadetes da Academia de Polícia Militar e pelos integrantes da banda Maestro Wanderley formada em sua homenagem. Ele recepcionou na rampa de acesso ao Palácio Deputado Luís Eduardo as autoridades que prestigiaram o evento até a chegada do governador Jaques Wagner, a quem acompanhou ao Salão Nobre da Casa. Os dois concederam coletiva ainda na rampa.
No plenário, o presidente do Legislativo ordenou a composição da Mesa de Honra e indicou uma comissão suprapartidária para acompanhar o chefe do Executivo até o plenário, onde o governador Jaques Wagner foi aplaudido de pé pelas 300 pessoas que lotaram o local e as galerias, este ano adornada com faixas de entidades da sociedade civil. Antes da leitura da mensagem, os presentes acompanharam a cantora Wil Carvalho executar o Hino Nacional, encerrado com calorosos aplausos.
No seu discurso, o governador da Bahia relacionou ações e projetos importantes executados em 2012, reafirmando a sua opção pelo investimento nas áreas social e da infraestrutura. O momento de maior emoção foi quando ele abordou a greve dos policiais militares, lembrando que não é movido pelo ódio ou vingança – mas constatando que algumas punições serão inevitáveis. Ele agradeceu o apoio recebido da presidente Dilma Rousseff. Ressaltou ainda o papel do arcebispo dom Murilo Krieger e do presidente da seccional da OAB, Saul Quadros, que participaram das negociações com os grevistas.
O presidente Marcelo Nilo agradeceu em nome de seus pares as palavras de estímulo do chefe do Executivo, garantindo que o parlamento em 2012 cumprirá, como sempre fez, com seus deveres sem abdicar de suas prerrogativas. Ele lembrou que o Legislativo da Bahia sempre esteve aberto ao diálogo e a manifestação de todos que nela se fazem representar. Frisou que, com essa greve, o Poder foi militarmente ocupado e que a radicalização impôs a volta à normalidade, pois a Casa das Leis não poderia se tornar o epicentro da desordem e da ilegalidade. Antes de os trabalhos serem encerrados foi executado ainda o Hino da Bahia.
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