Dança, música, teatro e poesia estiveram presentes na primeira edição do ano do projeto Albashow, de iniciativa da Assembleia Legislativa, através da Escola do Legislativo. Na tarde de ontem, o saguão Josaphat Marinho, entrada principal da Casa, foi palco para a apresentação da mostra cultural Negro, Eu? Marcas, história e identidade, encenada por jovens do projeto social Mescla – Associação Cultural de Ensino a Arte, Cultura, Dança e Música.
"Negro eu, negro você (…) somos negros história, negros memória, negros exemplo do nosso país". Com voz imponente e vestimenta que resgata a cultura afrodescendente, a jovem abriu a apresentação, recitando versos de um poema que se traduz num apelo ao fim do racismo e do preconceito para o surgimento de um país mais igualitário. Entre exibição de coreografias ritmadas por músicas, como Força e Pudor e A cor dessa cidade, esquetes teatrais e poesias de diferentes autorias foram declamadas.
Assim, mediante artifícios lúdicos, uma mensagem de alerta sobre a cruel realidade de violência, racismo e intolerância, ainda vividos nos dias atuais, foi passada aos espectadores. Segundo Newton Silva, gerente do departamento de projetos especiais da Escola do Legislativo, é importante trazer este tipo de manifestação para a Casa do Povo, um espaço democrático. "É uma oportunidade de observarmos crianças e adolescentes transformados em artistas, dando um grito de basta a todos os tipos de preconceitos", afirmou.
De acordo com Patrícia Ramos, vice-presidente da Mescla, a instituição sediada no município de Alagoinhas há 15 anos oferece a oportunidade de transformar cidadãos através da arte. Atualmente, atende cerca de 800 pessoas, desde crianças a partir dos 3 anos e meio de idade, até senhoras de 59 anos. "A nossa única exigência para as crianças e adolescentes é que estejam frequentando a escola", disse Patrícia. Para o jovem presidente da associação, Paulo Alves, de apenas 20 anos, o projeto necessita de mais apoio, já que sobrevive da ajuda de alguns pais de alunos. "Para essa apresentação, trouxemos 72 crianças e 52 adolescentes e adultos para mostrar o nosso trabalho. É importante ter quem nos escute e queira contribuir com nosso projeto", disse Paulo.
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