Algumas personalidades serão contempladas, em 2012, com o título de cidadão baiano, outorgado pela Assembleia Legislativa. Dentre essas, está a atual ministra chefe da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, que teve a homenagem proposta pela deputada Fátima Nunes (PT). "Uma mulher que veio jovem para a Bahia e desenvolveu muitos trabalhos em benefício da nossa população", afirmou Fátima a respeito da sua homenageada.
Nascida em 27 de março de 1953, em Porto Alegre (RS), filha do militar Carlos Silveira de Bairros e da dona de casa Celina Maria de Bairros, Luiza Helena sempre demonstrou interesse pela militância estudantil, participando de grêmios no colégio e diretórios acadêmicos nas universidades, evidenciando, desde cedo, que adotaria posição de luta e decisão política frente às desigualdades. Em 1979, participou da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Fortaleza, onde conheceu o Movimento Negro Unificado da Bahia (MNU) e resolveu se mudar para a capital baiana e começar a sua trajetória contra a discriminação racial.
EXPERIÊNCIA
Luiza é possuidora de uma qualificada formação acadêmica, sendo bacharel em administração pública e administração de empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1975), especialista em planejamento regional pela Universidade Federal do Ceará (1979), mestre em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutora em sociologia pela Michigan State University, em 1997. Participou da coordenação da pesquisa do projeto Raça e Democracia nas Américas: Brasil e Estados Unidos, um projeto relevante contra a discriminação racial. Além disso, lecionou na Universidade Católica do Salvador e na Universidade Federal da Bahia, entre outras, e ajudou a coordenar diversos eventos a favor do combate ao racismo. Entre os anos de 2001 e 2003, atuou no programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), na preparação e acompanhamento da III Conferência Mundial Contra o Racismo. Também cuidou da relação entre as agências internacionais com o governo e a sociedade civil. E, de 2003 a 2005, trabalhou no Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID), na pré implementação do Programa de Combate ao Racismo Institucional para os Estados de Pernambuco e Bahia.
BAIANA
Antes de ser convidada pela presidente Dilma Rousseff para fazer parte do seu ministério, a socióloga ocupava o cargo de secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, no governo Jaques Wagner, desde 2008. Para a deputada, a ministra é dona de uma trajetória respeitável e personalidade de destaque no cenário nacional pela sua luta em prol do movimento negro. Nas últimas décadas, esteve na liderança de diversas iniciativas de afirmação da identidade negra na sociedade brasileira, sendo estudiosa de políticas públicas para a população afrodescendente e ativista na luta pela superação do racismo e sexismo, em busca de uma sociedade mais justa e igualitária. "Luiza representa essa força da nova mulher que atua, é militante e transforma a sociedade. Mulher e negra, um resgate histórico para a Bahia", finalizou a parlamentar, ressaltando que a concessão formal do título de "baiana" é mais uma forma de reconhecer o significativo serviço prestado à Bahia por alguém que, sem dúvida, escolheu ser baiana por opção e de coração.
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