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AL homenageia Péricles Santos por sua luta pela democracia

Publicado em: 30/12/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comunista Álvaro Gomes propôs título de Cidadão Benemérito da Liberdade e Justiça Social
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Natural de Vitória da Conquista, Sudoeste baiano, Péricles Santos de Souza iniciou sua militância política aos 15 anos de idade, influenciado pela doutrina social da Igreja Católica, e não parou mais. Essa trajetória, dedicada 'ao socialismo, à liberdade, à democracia e à justiça social', levou o deputado Álvaro Gomes (PCdoB) a apresentar na Assembleia Legislativa projeto que concede a ele o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social. O projeto foi aprovado, semana passada, pelo plenário da AL.

'Pelo seu exemplo de coragem, abnegação e astúcia, Péricles Santos de Souza é daqueles lutadores a quem o poeta Bertold Brecht chamou de imprescindíveis, merecendo toda a admiração dos comunistas e de todos os lutadores do nosso povo', observou Álvaro na justi-ficativa do projeto. De acordo com o deputado comunista, em pouco tempo, Péricles tornou-se um dos principais dirigentes estudantis da Bahia. Integrou a Juventude Estudantil Católica (JEC) e, logo em seguida, a Juventude Universitária Católica (JUC), influenciada pela esquerda católica.

 

LUTAS

 

'O ambiente era de efervescência social no Brasil. O movimento estudantil estava em ebulição', acrescentou Álvaro Gomes. Nesse período, no ano de 1962, Péricles participava ativamente das lutas do movimento estudantil e popular, de passeatas a greves, da organização do movimento popular e da organização de sindicatos rurais por todo o Estado, empunhando as bandeiras progressistas, a exemplo da Campanha da Legalidade, em 1961, que garantiu a posse do presidente João Goulart e impediu o golpe militar. 'Ele foi um dos mais influentes dirigentes da Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas.'

Também em 1962, Péricles participa da fundação da Ação Popular (AP), organização política de feição revolucionária, que adotaria a linha marxista-leninista, de grande influência no movimento popular e estudantil e destaque no combate à ditadura militar. A AP teve, entre seus quadros, Hebert José de Souza, o Betinho, Haroldo Lima, Renato Rabelo, Aldo Arantes, Duarte Pereira, Fernando Schmidt, dentre outros.

Com o golpe militar, em 1o de abril de 1964, ele buscou organizar a resistência na Bahia, junto com Haroldo Lima, Sérgio Gaudenzi, entre muitos outros, a partir da cidade de Feira de Santana, à época administrada pelo prefeito Francisco Pinto, político de esquerda e que também tinha a disposição de resistir ao golpe.

'Frustrada essa tentativa, ele percorreu o interior da Bahia na mobilização contra o golpe, quando a casa dos seus pais, na Ladeira da Independência, em Salvador, foi invadida por militares à sua procura', contou Álvaro. Em 1965, ingressou no curso de História da Univer-sidade Católica do Salvador, sendo eleito, no ano seguinte, presidente do Centro Acadêmico São Tomás de Aquino. E foi um dos dirigentes da campanha do voto nulo na Bahia.

Em maio de 1968, ele rumou para o Pará, com a tarefa de reorganizar a AP na região Norte. É forçado a ingressar na clandestinidade, adotando o nome de Carlos David de Souza. Atuou, por dois anos, na região do Bico do Papagaio, região de intensos conflitos pela posse da terra, situada entre os Estados do Pará, Goiás e Maranhão, como principal dirigente da AP na área.

'Entre 1971 e 1972, um rico processo de discussão política e ideológica aproxima a AP e o PCdoB, culminando com a incorporação da Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil ao Partido Comunista do Brasil', explicou Álvaro Gomes. Com a incorporação, contou o de-putado, Péricles tornou-se membro do Comitê Central do partido, função que desempenha até hoje. 'Como dirigente do PCdoB, tem sido protagonista das principais lutas políticas do Brasil e da Bahia, a exemplo da Campanha pelas Diretas, da Constituinte de 1988, do Fora Collor', concluiu Álvaro.



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