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Livros sobre ícones do cangaço movimentam Poder Legislativo

Publicado em: 14/12/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

O presidente Marcelo Nilo falou sobre o programa editorial que a Casa executa
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Movimento marcante da história do sertão nordestino, o cangaço é tema dos dois livros lançados hoje, na Assembleia Legislativa da Bahia, como parte do programa editorial da Casa. Escritos pelo pesquisador Antônio Amaury Corrêa de Araújo, os livros "Maria Bonita" e "Gente de Lampião: Dadá e Corisco" resgatam a trajetória da vida de três personagens que foram protagonistas desta história. Apesar do tema comum e de serem do mesmo autor, os livros pertencem a duas coleções diferentes da Assembleia Legislativa: Gente da Bahia, no caso a biografia de Maria Bonita; e Coleção Cangaço, da qual faz parte o livro "Gente de Lampião: Dadá e Corisco".
O programa editorial da Assembleia tem resgatado publicações importantes, edições que estão fora do catálogo há décadas. São livros significativos que só podem ser encontrados unicamente em bibliotecas particulares ou sebos, a preços proibitivos. "Só foi possível apresentar essas obras às novas gerações graças a esse mecanismo", observou o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT).
Ele afirmou que Legislativo baiano é a casa da liberdade, da lei e do povo e nos últimos anos também está se tornando a casa da cultura, com a edição de 86 livros que contam a história da Bahia e, principalmente, dos personagens que construíram o estado. "Temos o dever de transmitir a nossa história de uma forma realista para as próximas gerações", afirmou o presidente, ressaltando que, apesar da crise econômica que está criando dificuldades para os orçamentos públicos, o projeto editorial da AL é prioritário.
O autor dos livros, Antônio Amaury Corrêa Araújo, considerado uma das maiores autoridades do mundo sobre o tema cangaço, agradeceu a Assembleia Legislativa pela oportunidade de editar os seus trabalhos e contou que, depois de todos os anos de pesquisa sobre o tema, ainda tem dificuldade de definir o movimento. "Não podemos julgar os cangaceiros de forma maniqueísta, como uma forma de luta envolvendo o bem e o mal. A experiência do cangaço foi muito mais complexa que isso", ressaltou.
"Ao reconstituir as vidas, paixões e mortes de Dadá e Corisco, Antônio Amaury faz o leitor penetrar no cenário e nos costumes, hábitos e mazelas de uma época brutal do sertão, onde, com algum exagero, pode-se dizer que viver cada dia era uma façanha. Um livro escrito com a simplicidade das palavras cotidianas, acolhendo deliberadamente erros de grafia e de pronúncia, de modo a reproduzir com fidelidade a língua viva praticada pelo povo mais simples do sertão nordestino", descreveu Délio Pinheiro, assessor para Assuntos de Cultura da Assembleia, no prefácio da 3ª edição do livro "Gente de Lampião: Dadá e Corisco".
Antônio Amaury Corrêa de Araújo é paulista e, há mais de 60 anos, colhe informações sobre o assunto. Ele realizou cerca de sete mil entrevistas ao longo destas seis décadas. Entre os seus entrevistados estão cerca de 40 ex-cangaceiros, membros das forças policiais, pessoas da sociedade da época e familiares remanescentes. Muitos cangaceiros chegaram a ficar meses na casa dele, em São Paulo, para colaborar com depoimentos e, no caso de alguns, aproveitar para tratar a saúde – entre eles, Dadá.
Toda essa devoção ao assunto rendeu dezenas de livros, além dos dois que foram relançados pela Assembleia: "Lampião: Segredos e Confidências do Tempo do Cangaço"; "Assim Morreu Lampião"; "Lampião: As Mulheres e o Cangaço"; "Gente de Lampião: Sila e Zé Sereno"; "De Virgulino a Lampião"; "A Medicina e o Cangaço", dentre vários outros.



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