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Uma pesquisa de 60 anos

Publicado em: 13/12/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Há décadas, Antônio Amaury trabalha no tema
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Considerado uma das maiores autoridades do mundo em cangaço, Antônio Amaury Côrrea de Araújo é paulista e, há mais de 60 anos, colhe informações sobre o assunto. Para escrever seus muitos livros sobre o tema, ele realizou cerca de sete mil entrevistas ao longo destas seis décadas. Nos anos 70, tornou-se conhecido em todo o Brasil ao participar do Programa 8 ou 800, da TV Globo, respondendo a perguntas sobre o universo do cangaço.

Entre os seus entrevistados estão cerca de 40 ex-cangaceiros, membros das forças policiais, pessoas da sociedade da época e familiares remanescentes. Muitos cangaceiros chegaram a ficar meses na casa dele, em São Paulo, para colaborar com depoimentos e, no caso de alguns, aproveitar para tratar a saúde – entre eles, Dadá.

Toda essa devoção ao assunto rendeu dezenas de livros, além dos dois que serão relançados pela Assembleia na próxima semana: Lampião: Segredos e Confidências do Tempo do Cangaço; Assim Morreu Lampião; Lampião: As Mulheres e o Cangaço; Gente de Lampião: Sila e Zé Sereno; De Virgolino a Lampião; A Medicina e o Cangaço, dentre vários outros.

'Ao reconstituir as vidas, paixões e mortes de Dadá e Corisco, Antônio Amaury faz o leitor penetrar no cenário e nos costumes, hábitos e mazelas de uma época brutal do sertão, onde, com algum exagero, pode-se dizer que viver cada dia era uma façanha. Um livro escrito com a simplicidade das palavras cotidianas, acolhendo deliberadamente erros de grafia e de pronúncia, de modo a reproduzir com fidelidade a língua viva praticada pelo povo mais simples do sertão nordestino', descreveu Délio Pinheiro, assessor para Assuntos de Cultura da Assembleia, no prefácio da 3ª edição do livro Gente de Lampião: Dadá e Corisco.

De fato, a vida dos cangaceiros descrita por Antônio Amaury nos dois livros é de uma dureza que, muitas vezes, só teve fim com a morte dos sertanejos em combate contra as forças do governo. Mas que foi suavizada quando as mulheres entraram nesse universo, como descreve Antônio Amaury na introdução de Maria Bonita: 'Em virtude das presenças femininas nos bandos, os estupros, que já eram raros, dificilmente tornaram a ocorrer, redundando em maior respeito para com as mulheres da região pelos grupos de cangaceiros.'



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