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AL promove audiência para debater Carnaval de Salvador

Publicado em: 06/12/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Proponente do evento, Alan Sanches disse que está na hora de reformular o modelo da festa
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Um novo modelo de Carnaval para Salvador foi o tema da audiência pública que ocorreu na tarde de ontem no plenarinho da Assembleia Legislativa. Proposta pelo deputado Alan Sanches (PSD), membro efetivo da Comissão de Saúde e Saneamento da Casa, o evento possibilitou um debate entre parlamentares, entidades carnavalescas, artistas e sociedade civil. Além disso, existiu também a elaboração de um documento constando as sugestões para a reformulação da festa de Momo que será encaminhado para vereadores, deputados e demais autoridades apreciarem. "Democracia é isso, discutir para melhorar. O objetivo desse momento aqui é discutir uma reestruturação para o Carnaval de Salvador, já trazendo algumas modificações para o de 2012", disse Sanches, pleiteando que as novas medidas sugeridas já sejam aplicadas de imediato.
As associações de Afoxés da Bahia, dos Blocos Afro, de Blocos de Índio, da União dos Blocos Travestidos de Salvador, dos Blocos de Salvador e a Baiana dos Trios Independentes estiveram presentes para reforçar a reivindicação de uma festa popular mais justa e democrática. Segundo essas entidades, está na hora de acabar o atual modelo homogeneizante do Carnaval, que se sobrepõe à diversidade cultural e resulta no enriquecimento de grupos restritos. "De 2000 para cá, os camarotes tomaram conta do circuito e, além de subtrair os foliões, também abarcaram as verbas de patrocínio", afirmou Augusto Aras, subprocurador-geral da República. Para ele, acima da questão financeira está a defesa da manutenção e fortalecimento da cultura. "O Carnaval é o lugar adequado para que a nossa identidade cultural única se reafirme a cada ano", completou. Com este mesmo entendimento, Nadinho do Congo, presidente da Federação Nacional dos Afoxés, reforçou que o movimento não é contra os camarotes, mas que parte da contribuição deva
er voltada para as entidades que têm o compromisso social, não apenas nos cinco dias de Carnaval, mas o ano inteiro.

REGULAMENTAÇÃO

De acordo com Sandoval Guimarães (PMDB), vereador do município de Salvador, mesmo a capital baiana sendo a maior cidade negra fora da África, é apenas a quinta cidade brasileira em cultos afrodescendentes, perdendo até para Porto Alegre, com população formada por imigrantes europeus, segundo dados do IBGE. Autor do projeto de lei que regulamenta a proteção ao patrimônio público material e imaterial do Carnaval de Salvador e altera a Lei Municipal nº 4.877, de 18 de janeiro de 1994, o vereador espera o apoio de seus pares para a aprovação de sua proposta. "Através da lei, queremos devolver o que é de direito aos blocos que iniciaram o Carnaval", declarou, referindo-se a participação na lucratividade da festa destinada às entidades iniciantes, versada no documento.
Para o cantor Gerônimo, além de projetos que fomentem os blocos de afoxés e de samba reggae, do incentivo financeiro aos primordiais blocos carnavalescos, deve ser conferido maior prestígio a estas entidades, como, por exemplo, uma prioridade no horário de desfile. "Quando esses blocos desfilam, a maior parte das pessoas já estão dormindo e não podem ver a beleza dos afros", desabafou. Otto Pípolo, presidente da Associação dos Blocos de Salvador, acredita que, se perdurar a situação excludente do Carnaval soteropolitano, ocorrerá a extinção das raízes culturais baianas. Com o objetivo de impedir este desfecho e contribuir para um futuro diferente para maior manifestação popular do planeta, os deputados Bira Corôa (PT) e Adolfo Viana (PSBD) apoiaram a causa, reforçando a preocupação do Legislativo com a questão.



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