Câncer de próstata, tratamentos à base de fitoterápicos e a situação mundial da Aids foram assuntos tratados ontem pela Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa, todos englobados no âmbito da saúde pública e com benefícios diretos à população. A comissão aprovou, à unanimidade, dois projetos de lei que instituem na Bahia a Semana Estadual de Combate e Prevenção ao Câncer de Próstata e a Política Intersetorial de Plantas Medicinais e de Medicamentos Fitoterápicos. Ambos foram considerados de relevância para amplos segmentos da sociedade.
Segundo o parecer favorável do deputado Coronel Gilberto Santana (PTN), a população masculina do Estado será a grande beneficiária da Semana Estadual de Combate e Prevenção ao Câncer de Próstata, proposta em projeto de lei pelo Pastor Sargento Isidoro (PSB), uma vez que a ideia central é quebrar o preconceito contra o exame de toque retal e reforçar sua importância para o diagnóstico da doença, que registra 50 mil novos casos a cada ano. Citando dados e informações da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que revelam o crescimento da enfermidade e a mudança de perfil do doente (agora o câncer de próstata atinge homens a partir dos 40 anos e não mais acima dos 60), o deputado Santana adverte que a prevenção continua sendo o melhor remédio para o mal, que tem "90% de cura" se detectado precocemente.
É preciso que a população masculina abandone o preconceito e procure um urologista anualmente a partir dos 40 anos de idade, aconselha o parlamentar, chamando a atenção para a importância do exame de toque retal e do exame sanguíneo de PSA como formas preventivas de diagnóstico do câncer de próstata, "segunda maior causa de óbitos no Brasil". A quebra de tabu pode também ser aplicada ao segundo projeto de lei que teve parecer aprovado por todos os deputados presentes à reunião da comissão: o que institui a Política Intersetorial de Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares e de Medicamentos Fitoterápicos no Estado da Bahia.
BAIXO CUSTO
A proposta do deputado comunista Álvaro Gomes teve parecer favorável do relator Alan Sanches (PSD) e tem, dentre seus objetivos, "promover a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a inovação de plantas medicinais e de medicamentos fitoterápicos, em toda a cadeia produtiva" e "estimular a formação de profissionais direcionados aos estudos e à utilização de plantas medicinais, sob a ótica transdisciplinar, de todas as áreas de conhecimento". Popularmente conhecidos como remédios naturais, os fitoterápicos podem até mesmo vir a ser utilizados pelo SUS, como sugeriu o relator Alan Sanches, lembrando que este procedimento pode reduzir os custos de inúmeros tratamentos.
Outro assunto levantado na comissão, desta vez pelo presidente deputado José de Arimatéia (PRB), foi o atual panorama mundial da Aids. Citando dados publicados pela Unaids, programa das Nações Unidas, o parlamentar informou sobre a redução de 700 mil mortes no universo dos infectados pelo HIV, índice conquistado graças a tratamentos que têm ampliado a expectativa de vida dos soropositivos. "A epidemia ainda não acabou, mas o fim pode estar perto", disse o deputado, amparado em declaração semelhante de dirigentes da Unaids.
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