A Assembleia Legislativa da Bahia debateu, na manhã de ontem, a estrutura da cadeia da carne no estado, em uma sessão especial proposta pelo deputado Mario Negromonte Júnior (PP). "Não sou do ramo da carne, mas como um parlamentar do interior sei que ainda existe a cultura do abate no mato e, muitas vezes, consumimos esta carne. Precisamos unir todas as forças para que a população não seja prejudicada e receba carne de qualidade. Por isso, precisamos estar todos de mãos dadas: Assembleia, criadores, consumidores, governo, secretaria, Adab, sindicatos", frisou o parlamentar.
Expondo os planos do Estado, o secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Eduardo Salles, revelou que, depois de um grande estudo técnico, percebeu a inviabili-dade da construção de frigoríficos nos moldes que estavam ocorrendo em outros estados do país, com o custo aproximado de 8 milhões de reais. Segundo ele, a Bahia conseguiu redu-zir este custo e os novos frigoríficos custarão aproximadamente 1,7 milhão.
"Vários secretários de agricultura do país estão nos solicitando o envio do nosso projeto. O secretário de Alagoas veio nos visitar pessoalmente", enfatizou Eduardo, revelando que 23 destes frigoríficos já estão em fase de implantação, sendo instalados em pontos es-colhidos estrategicamente, tentando centralizar os abates de cada região em municípios polo.
UNIÃO
Ampliando estas ações, o secretário conclamou os deputados e os prefeitos a ajudarem nesta questão. "Precisamos que as cidades promovam a instalação de câmaras frigoríficas com paredes isolantes térmicas, com capacidade de receber 30, 50 e 100 carcaças. Já existem financiamentos para estas câmaras. Elas serão instaladas nas proximidades das feiras livres. Assim o animal será abatido no frigorífico legalizado, a carne será conduzida em caminhões apropriados, para serem descarregadas nas câmaras. Com todo cuidado necessário à saúde da população.
O secretário fez questão de salientar, também, que estas ações não podem ser vistas como ações de concorrência ao setor privado. Para ele, quando houver interesse da iniciativa privada, o estado não terá intenção de assumir os frigoríficos. "Nossa principal questão é a saúde pública", garantiu. Neste sentido, Júlio Farias, presidente do Sindicato da Indústria de Carne e derivados do Estado da Bahia (Sincar), disse que concorda com estas ações, mas pede que haja mais fiscalização. "É importante sessões como esta para mostrar que estamos de mãos dadas. Nossos frigoríficos prestam serviços para as comunidades, pois cedemos nosso espaço para os pequenos abates", frisou.
ESTRUTURA
Coube ao diretor da Abad, Paulo Emílio Torres, fazer uma explanação da estruturação da cadeia da carne. Além disso, ele defendeu que a responsabilidade seja compartilhada e que esta questão seja encarada como política pública, uma vez que implica no campo social, econômico e ambiental. Antecipando uma boa notícia, ele revelou que, em breve, será lançado Projeto de Matadouros Avícolas, com capacidade de abate de 5 mil aves/dia.
DIÁLOGO
Para o deputado petista Zé Neto, líder do governo, apesar dos enormes avanços, não existe a possibilidade de discutir melhoras significativas na vida das pessoas, sem entender as cadeias produtivas, ouvindo todos os setores. "Esta sessão é excelente, mas precisamos levar o pequeno e o grande produtor para as câmaras setoriais. Lá elas pensarão esta questão de igual para igual. Já que o abate clandestino é, também, cultural", frisou. Este pensamento foi corroborado, pelo deputado e agrônomo Joseildo Ramos, (PT). "A Bahia tem vocação de criador, mas ainda temos muito que evoluir, no ponto de vista de tecnologia. Sessões como esta são importante pois ajudarão na qualidade de vida do nosso povo", concluiu.
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