"Adicionar a fécula de mandioca à farinha de trigo e seus derivados". Essa foi a proposta apresentada pelo deputado Mário Negromonte Júnior (PP) durante sessão especial, na manhã desta quarta-feira, no plenário da Assembleia Legislativa. Para o debate foram convidados todos os setores envolvidos no tema, com o propósito de trazer melhorias ao projeto que entrará para aprovação na Casa ainda este ano.
Sob o topônimo de "Pãozinho Baiano", o projeto de lei ora citado tem por finalidade, segundo o parlamentar proponente, determinar a adição de, no mínimo, 10% (dez por cento) de fécula de mandioca à farinha de trigo usada na fabricação de pão no Estado da Bahia.
Ainda segundo explicações do deputado, a Bahia é a terceira maior produtora de mandioca do país e o setor é responsável pela geração de 220 mil empregos diretos. Entretanto, Mário Negromonte Júnior informa que grande parte dos produtores da mandioca, em sua maioria da agricultura familiar, está passando por dificuldades e carências no Estado.
O projeto teve como base os dados fornecidos pela Secretaria da Agricultura, Irriga-ção e Reforma Agrária (Seagri) da Bahia, que demonstram ser possível adicionar até 25% da fécula de mandioca à farinha de trigo sem alterar o gosto e sem causar nenhum prejuízo ao pão. Sem a ausência do glúten (proteína amorfa) e atuando como diluidor do glúten presente no trigo, acredita-se que o pão será mais saudável.
ECONOMIA
Do ponto de vista econômico, esse projeto de lei representará uma economia de R$ 100 a R$ 200 milhões por ano e estima-se a criação de 50 a 100 mil novos empregos na cadeia produtiva da mandioca.
Porém, a mudança não foi bem aceita por alguns representantes de panificadoras, que se posicionaram contra o adicionamento da fécula de mandioca à farinha de trigo. "Esse projeto quer impor e mudar o pão francês que todos vocês conhecem", argumentou Mário Pithon, presidente do Sindicato dos Panificadores. O presidente também afirmou que o projeto não traz nenhum benefício para os panificadores, como, por exemplo, a redução dos impostos pagos na farinha de trigo.
Já para o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Joselito Mota, 10% de adição da fécula de mandioca é muito pouco se olharmos os inúmeros benefícios gerados pelo projeto em todo o Estado. "Precisamos valorizar nossas matérias primas", destacou o pesquisador.
O gerente estadual de Agricultura Familiar e Direito Sustentável do Banco do Brasil, Armando Soares, destacou a importância do projeto para os agricultores e afirmou: "Se o do interior não planta, o da cidade não janta". No mesmo sentido, o chefe de gabinete da Seagri, Jairo Carneiro, que estava como secretário interino e representou o governador do Estado no encontro, pediu o consenso de todos que são contra e a favor do projeto para que se chegue a um entendimento e as partes envolvidas sejam beneficiadas com a mudança.
A deputada Maria del Carmen (PT) parabenizou a ideia do projeto de lei e também concordou com a mudança, mas destacou que esse desafio tem de ser incorporado não somente pelos deputados da Casa, e sim pelos baianos. De acordo com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), a Casa dará espaço para todos que defendem ou não o projeto.
Ao final do debate, foram servidas amostras de mais de 10 tipos de pães feitos com a adição da fécula da mandioca. Os servidores que provaram as iguarias garantiram que o sabor não tem diferença alguma. "Achei muito bom e realmente não percebi nenhuma diferença para os pães feitos somente com a farinha de trigo", comentou o servidor Alexsandro Mateus.
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