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AL associa-se ao Outubro Rosa

Publicado em: 31/10/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Rosemberg Pinto alertou sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama
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A Assembleia Legislativa coloriu esta semana sua fachada de rosa, associando-se ao Outubro Rosa, movimento internacional em que prédios e monumentos são iluminados nesta cor para chamar a atenção sobre o câncer de mama e a importância do diagnóstico precoce no sentido de curar a doença, responsável por 11 mil óbitos de mulheres por ano no país.

A iniciativa foi do deputado Rosemberg Pinto (PT), autor também da proposta, em parceria com a Comissão dos Direitos da Mulher, de realização de uma audiência pública ontem à tarde, que reuniu no plenário autoridades em saúde pública e militantes de organizações não governamentais dedicadas ao combate do câncer de maior incidência no sexo feminino, sendo registrados pouco menos de 50 mil novos casos no país a cada ano.

Tratou-se de uma tarde de alerta, mas também de celebração, onde a mensagem principal foi a de que, se detectada a tempo, a doença tem cura plena. Por isso, além de pronunciamentos, houve espaço para a apresentação do cantor Elias Sailê, que empolgou o plenário com uma música em homenagem ao Outubro Rosa, e da atriz Tânia Toko, que cantou, recitou poesia e distribuiu rosas entre as presentes.

 

COISA DE HOMEM

 

Na sequência dos oradores, a ação de Rosemberg foi saudada duplamente: pela importância e por ter partido de um homem. A presidente da Comissão dos Direitos da Mulher, deputada Luísa Maia (PT), por exemplo patenteou a satisfação pelo fato.

Primeiro a se pronunciar, o petista foi bastante objetivo e afirmou que o Governo do Estado vem fazendo um trabalho constante na melhoria da saúde, a exemplo da construção do Hospital de Referência no Subúrbio Ferroviário. "Às vezes, temos dificuldades de mostrar os pontos positivos", lamentou, defendendo ainda o trabalho voluntário desenvolvido pelas ONGs, no sentido de fomentar o diagnóstico precoce, "capaz de salvar muitas vidas". Ele lamentou ainda que os aparelhos de mamografia estejam mais concentrados nas regiões Sul e Sudeste, quando os casos da doença são mais frequentes no Norte e Nordeste.

 

EXEMPLOS

 

Se a palavra câncer tem o dom de assustar todos, estavam ali no plenário exemplos de mulheres que conseguiram derrotá-lo porque descobriram cedo o problema. Quatro delas foram homenageadas com buquês de rosas: a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho; a presidente do Naspec (Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer), Romilza Medrado, Kátia Baldini (também do Naspec) e Selma Guimarães, líder comunitária que desenvolve um trabalho de conscientização de mulheres sobre a doença, no Bairro da Paz.

 

A deputada Ivana Bastos (PSD) ocupou a tribuna para agradecer a instalação de um tomógrafo no Hospital Regional de Guanambi que vai beneficiar mais de 20 municípios e para contar a experiência que está vivenciando: "Tomei um susto ao pegar o resultado da minha mamografia", contando que havia acabado de realizar ontem uma punção para saber qual a gravidade do nódulo encontrado. "Mas meu médico já disse que, mesmo que seja o pior, ainda está no começo, em tempo de tratar", revelou.

 

DESMISTIFICANDO

 

A senadora Lídice da Mata fez questão de desmistificar o assunto. Dirigindo-se à presidente das Voluntárias Sociais e primeira-dama do estado, Fátima Mendonça, citou: "Fátima já tirou dois nódulos benignos, eu um", disse, vendo a deputada Maria del Carmen sinalizar que também já retirou um. "Tem que fazer o exame", preconizou.

"Toda mulher tem que ficar feliz por poder fazer o exame", defendeu Moema Gramacho: "Se não der nada, ficar mais feliz e, se houver algo, mais feliz ainda, porque no início tem cura", afirmou do alto de sua experiência. Ela elogiou o governador Jaques Wagner pelo programa Saúde em Movimento, que está levando o tomógrafo para os municípios mais distantes do estado. Lauro de Freitas é uma das cinco cidades baianas a contar com o aparelho no serviço municipal. "Este ano já fizemos mais de três mil exames", disse, sendo aplaudida ao anunciar que ofereceu o atendimento para o setor de regulação do estado.

A primeira-dama, por sua vez, citou o poeta Fernando Pessoa para dizer que "melhor do que escolher o caminho é escolher novos horizontes e hoje estou vendo um novo horizonte". Enfermeira de profissão, ela reconheceu os avanços obtidos mas enfatizou que "queremos muito mais, queremos que todas as mulheres tenham acesso não só à mamografia mas ao tratamento precoce". Ela lançou ainda um pedido aos homens para que sigam o exemplo de Rosemberg e lembrem as mulheres de fazer o exame.

 

LUTA

 

Luiza Maia ressaltou que a luta contra o câncer de mama é mais uma das muitas que as mulheres têm que enfrentar para alcançar a plenitude de suas conquistas. Para ela, a campanha do Outubro Rosa é um fator para que se alcance a vitória. Maria del Carmen (PT) e Cláudia Oliveira (PSD), membros da comissão, também se pronunciaram. Fátima Nunes (PT) anunciou o projeto de sua autoria em tramitação na Casa que prevê um dia de folga anual no trabalho para viabilizar a realização do exame de controle dos cânceres de mama e do colo de útero.

O Pastor Sargento Isidório, que iria protagonizar juntamente com Rosemberg um encerramento insólito ao evento ao cantarem "As Rosas não Falam" em dueto, ocupou a tribuna para dizer que "Deus deu a cura, mas deu também a sabedoria aos médicos e que os serviços de saúde estão aí para ser utilizados".

Romilza, presidente do Naspec, disse que "não estamos aqui para falar de coisas boas nem ruins, mas de coisas sérias". A principal preocupação que ela levou foi a de que os deputados transformem em projeto de lei um documento, criando um comitê formado por representantes de diversas entidades para orientar políticas específicas contra o câncer de mama. Ela ressaltou que, se há cura para a doença, mas esta é a que mais mata, "existe alguma coisa errada". Romilza destacou ainda que "todo mundo morre, mas da maneira como vemos no Aristides Maltez e no Naspec, não se justifica.

A presidente do American Cancer Society Brasil, Adriana Bacc, falou sobre o primeiro Fórum Intersetorial de Controle de Câncer de Mama do Estado da Bahia, realizado em dezembro passado, que teve por objetivo traçar um panorama das políticas públicas realizadas e elaborar recomendações de ações intersetoriais, visando à convergência dos diversos sujeitos sociais. Um dos fatores detectados foi a concentração de mamógrafos na capital, penalizando as populações interioranas que são expostas a longos deslocamentos para os exames anuais.

Para falar das políticas públicas, o secretário da Saúde, Jorge Solla, se fez representar pela diretora de Controle das Ações dos Serviços de Saúde, Cláudia Almeida. Ela fez uma apresentação esquemática, procurando mostrar com ajuda de slides os avanços experimentados com o programa Saúde em Movimento – Rastreamento do Câncer de Mama. A meta, segundo ela, é oferecer mamografia a todas as baianas na faixa etária de 50 a 69 anos, além de garantir todos os exames diagnósticos para 100% das mulheres com resultados indicativos de mamografia e todo o tratamento e monitoramento necessários para as enfermas.

O último pronunciamento coube a Vera Lúcia Barbosa, Secretária de Políticas para as Mulheres. Falando em nome do governador Jaques Wagner, ela ressaltou que o Saúde em Movimento realizará em dois anos mais de um milhão de mamografias, além dos procedimentos citados por Cláudia. "Estamos fazendo nossa parte, desenvolvemos ações que garantirão não só o rastreamento da doença, mas o tratamento e o acompanhamento das pacientes", disse, enfatizando que o objetivo é o diagnóstico antes mesmo que o nódulo possa ser sentido, quando há uma chance de cura de 95%.

"A desinformação e o medo são os maiores trunfos que o câncer de mama podem carregar consigo", disse, lembrando que esses fatores evitam que a doença seja descoberta precocemente. Neste sentido, ela ressaltou que esta não é uma luta só das mulheres, mas de toda a sociedade.



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