A Assembleia Legislativa reuniu ontem diversos segmentos da sociedade baiana para discutir sobre o tema da Campanha da Fraternidade lançada pela CNBB este ano, cujo tema é Fraternidade e a Vida no Planeta. A iniciativa foi do deputado Yulo Oiticica (PT), coordenador da bancada católica, que propôs a realização da sessão especial. "Os questionamentos que a campanha faz este ano é se haverá futuro para nós, se haverá vida no planeta", disse o parlamentar. Na ocasião, ele aproveitou para defender o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) como alternativa de transporte de Salvador, criticando a preferência da prefeitura pelo "sistema anacrônico do BRT (corredores de ônibus).
Yulo ressaltou que a esperança para o ser humano é uma mudança de rumo, com a busca pelo crescimento sustentável. "Os problemas ambientais são reais e debatidos há muito tempo por nós brasileiros ou, pelo menos, nunca antes na história deste país ocorreram tantos debates para encontrar uma equação que pudesse reunir numa única conta crescimento econômico e desenvolvimento sustentável", afirmou.
No discurso de abertura, logo após o presidente Marcelo Nilo (PDT) compor a mesa dos trabalhos, Yulo disse que, desde 2003, "o Brasil teve a coragem de expor o conflito de classes entre os países pobres e ricos, os países desenvolvidos e emergentes". O parlamentar disse isso para afirmar que há uma "conspiração dos países ricos contra o crescimento dos países pobres."
Como exemplo desta lógica, ele citou carta da ONU de 1962 que revela a contradição: "Os recursos naturais são vitais para o desenvolvimento econômico, mas o desenvolvimento econômico nos países menos desenvolvidos poderia colocar em risco os recursos naturais do mundo". Para o parlamentar, o ex-presidente Lula conseguiu subverter essa lógica, "colocando o nosso projeto de Brasil em curso" com uma transformação na agenda das prioridades.
A sessão contou com a presença do novo arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, que trouxe ao plenário o exemplo de São Francisco de Assis, que declarou seu amor à natureza em seu "Cântico das Criaturas". "Quando este nosso santo compôs, não se sabia o que era poluição, emissões de gases de efeito estufa, mudanças climáticas, chuvas tóxicas e desastres ambientais", considerou ele, lembrando que "uma geração deve entregar um planeta melhor."
RISCO
O deputado federal Nelson Pelegrino, coordenador da bancada baiana na Câmara, por sua vez, disse que a Campanha da Fraternidade é a ocasião para "ver, julgar e agir junto à comunidade". Elogiando Yulo pela sessão, o parlamentar informou que ele levou ao Congresso a prática de realizar sessões especiais para tratar do assunto, desde 1999. A respeito do tema, ele lamentou que o homem esteja consumindo duas vezes e meia o que o mundo tem capacidade de repor, colocando em risco a própria humanidade.
O coordenador executivo do grupo ambientalista Gambá, Renato Cunha, revelou preocupação com os eventos que vêm ocorrendo no mundo, em função da mudança do clima, citando o terremoto seguido de maremoto ocorrido no Japão, ocasionando a atual crise com vazamento de material radioativo. Outro ponto abordado por ele são as mudanças do Código Florestal que estão sendo propostas no Congresso Nacional, que tem viés mais agrícola do que ambiental.
Clímaco Dias, professor do Departamento de Geografia da Ufba, alertou a todos que, ao contrário do que se imagina, o aquecimento global interessa a poderosos grupos econômicos. Para ele, as companhias de petróleo e gás já contam com o derretimento do gelo do Polo Ártico para começar a explorar as reservas locais. Ele também disse que os altos preços do petróleo têm feito o Canadá começar a extrair o mineral de areias betuminosas, que produzem cinco barris de descartes para um barril de óleo.
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