A morte do ex-vice-presidente José Alencar, aos 79 anos, deixou consternada grande parte dos deputados estaduais baianos. Dezenas de parlamentares apresentaram na Assembleia Legislativa moções de profundo pesar, nas quais destacaram o exemplo de vida e de obstinação na luta contra o câncer deixado pelo político e empresário nascido em Muriaé, Minas Gerais, em 17 de outubro de 1931.
Uma única moção, por exemplo, foi assinada por todos os 14 deputados que compõem a bancada do PT na Assembleia – Yulo Oiticica, Bira Corôa, Maria del Carmem, Fátima Nunes, Marcelino Galo, J. Carlos, Joseildo Ramos, Joacy Dourado, Luiza Maia, Zé Neto, Neusa Cadore, Paulo Rangel, Rosemberg Pinto e Zé Raimundo.
No documento, os petistas lembraram a trajetória política de José Alencar. Ao exercer a vice-presidência da República, foi atuante e firme em suas posições, o que o fez conhecido por todo o povo brasileiro e admirado pelos aliados e opositores, que sempre destacaram a sua coerência e moralidade, observa a moção da bancada petista.
Além de subscrever o documento elaborado pela bancada petista, o deputado Marcelino Galo fez questão também de reverenciar a memória do ex-presidente, protocolando uma moção de pesar na Secretaria Geral da Mesa. "Nestes últimos dias lutou bravamente pela vida, chegando a dizer que ‘você não sabe o que é a morte, então você não tem de temer a morte. Você tem de ter medo é da desonra."
O deputado Sidelvan Nóbrega (PRB) foi na mesma linha e destacou o exemplo de cidadania deixado por José Alencar. "Ele foi um homem íntegro, inteligente, competente, determinado, fiel às suas convicções", declarou ele. Nóbrega lembrou ainda que o ex-vice-presidente sempre foi otimista em relação a sua doença e parecia não temer a morte. "É dele a seguinte frase: "A morte é um fenômeno da vida", lembrou.
Outro deputado do PRB, José de Arimatéia, assinalou que José Alencar, no início, foi um vice-presidente polêmico. "Ao assumir o cargo, em 2003, ele foi uma voz discordante dentro do governo contra a política econômica defendida pelo ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que mantinha os juros altos na tentativa de conter a inflação e deixar a economia sob controle", reforçou.
Já o deputado Cacá Leão (PP) lembrou, na moção de pesar apresentada por ele, que José Alencar iniciou a vida profissional aos 15 anos de idade, como balconista em uma loja conhecida como A Sedutora. "Grande vendedor, mudou-se em seguida para o município de Caratinga para trabalhar na Casa Bonfim, tendo aberto seu próprio negócio no ano de 1950 com uma empresa chamada A Queimadeira, que manteve até 1953, quando decidiu vendê-la e mudar de ramo, até que em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas."
"A Coteminas cresceu e hoje são 11 unidades que fabricam e distribuem os produtos: fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e Mercosul", acrescentou a deputada Graça Pimenta (PR), que também apresentou uma moção de pesar na Assembleia Legislativa. Ela destacou que a Coteminas tornou-se hoje um dos maiores grupos industriais têxteis do país.
A trajetória política do ex-vice-presidente foi contada pela deputada Cláudia Oliveira (PTdoB) em mais uma moção de pesar apresentada na AL. José Alencar ingressou na vida política como presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria", contou, lembrando que, em 1998, ele elegeu-se senador, por Minas Gerais, com quase três milhões de votos. "Em 2002, disputou, elegendo-se vice-presidente da República, junto com o ex-presidente Lula, reeleitos em 2006."
O deputado Gilberto Santana (PTN) fez questão de ressaltar a luta obstinada de 13 anos de José Alencar contra o câncer. E elogiou sua postura corajosa e otimista. "Famoso por declarações imponentes, Alencar conquista a simpatia dos brasileiros numa entrevista ao afirmar: ‘Se Deus quiser me levar, ele não precisa de câncer para isso. Tudo indica que Deus não quer me levar agora.’ Infelizmente, chegou o dia", lamentou Santana.
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