A Assembleia Legislativa sediou ontem pela manhã a abertura do Fórum Baiano da Agricultura Familiar, que tem como principal bandeira a criação de uma secretaria de governo específica. Presente ao encontro, o secretário Eduardo Sales fez um balanço do que o governo Wagner realizou nos seus primeiros quatro anos de administração e classificou estas ações como avanços que precisam ter continuidade. Segundo o secretário da Agricultura, em 2010, o número de famílias assistidas saltou das 80 encontradas no início do governo para 400 mil, de um universo de 650 mil famílias.
Ainda de acordo com Eduardo Sales, Jaques Wagner "herdou" uma dívida de R$ 600 milhões da EBDA, órgão que teve seus "bens confiscados on-line" e precisa passar por uma "profunda reestruturação", meta desta segunda gestão. O secretário aproveitou o fórum para anunciar que já está pronta na Casa Civil reforma administrativa no âmbito da sua secretaria que privilegia a Superintendência de Agricultura Familiar com a criação de 26 novos cargos. Sales defendeu a criação de uma procuradoria própria que agilize os processos pendentes e a aprovação de títulos de posse de terra, e a volta do Instituto de Terras da Bahia.
BANDEIRAS
Temas recorrentes no encontro, o desenvolvimento rural e o avanço nas conquistas foram defendidos não só pelos representantes dos movimentos sociais como pelos deputados presentes ao fórum. Os parlamentares se manifestaram solidários ao movimento e foram unânimes em atribuir importância vital ao Fórum na ajuda ao governo para que os problemas que ainda existem sejam solucionados.
Para o presidente do PT, Jonas Paulo, este "é o momento certo" para o debate. Ele falou que as bandeiras do movimento precisam ser "materializadas" sob o ensinamento do ex-presidente Lula segundo o qual "a distribuição de renda é que constrói o desenvolvimento sólido".
Também em defesa do fórum, o deputado Joseildo Ramos (PT) propôs a criação de uma frente parlamentar que pugne pelas bandeiras do campo, sugestão já formalizada na Assembleia Legislativa pela também petista Neusa Cadore. O deputado Marcelino Galo (PT) defendeu a presença do Incra nas negociações que envolvam posse de terra e opinou: "O combate à pobreza passa obrigatoriamente pela reforma agrária." Ele fez coro à reivindicação básica do fórum e defendeu a criação da Secretaria Estadual de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural.
O Fórum Baiano da Agricultura Familiar começou na Assembleia Legislativa com um café da manhã e, em seguida, tiveram início as discussões nas salas Herculano Menezes e Luís Cabral. O secretário de Desenvolvimento Social, Carlos Brasileiro, também prestigiou o evento, ao lado de representantes do movimento social do campo, da Comissão Executiva do Fórum, do presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia, Temóteo Brito (PMDB), e dos deputados petistas Joseildo Ramos, Marcelino Galo, Neusa Cadore, Rosemberg Pinto, José Raimundo e Joacy Dourado. Hoje, o Fórum elege a nova coordenação executiva e lança a Carta de Salvador.
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