Citado por Jorge Amado como um dos ícones da capoeira da Bahia, Mestre Piauí, enfim, é mesmo um cidadão baiano. O título foi entregue ontem, pela manhã, em sessão especial da Assembleia Legislativa e coroa o trabalho social que este piauiense, natural de Teresina, desenvolve em Salvador, desde a década de 70. Ao justificar a proposição, o deputado Edson Pimenta (PCdoB) lembrou a história de Mestre Piauí e o importante trabalho de 'inclusão social' que ele desenvolve até hoje com crianças carentes do Estado.
E os serviços prestados pelo Mestre são mesmo significativos. Desde 1972 envolvido com a capoeira, Piauí mora em Salvador há 34 anos e aqui formou-se pela Universidade Católica, implantou o esporte nos jogos intermunicipais, fundou a escolinha de capoeira da Sudesb e o grupo Capoeira Bahia Arte. E já viu passar pelos seus ensinamentos e cuidados 'mais de 10 mil pessoas', incluindo os universitários das faculdades Unime, FTC e Unirb, que recebem, em sala de aula, seus conhecimentos sobre a importância da capoeira 'para o desenvolvimento cognitivo, motor e psico-motor.'
AMOR
Mestre Piauí recebeu o título de Cidadão Baiano como 'reconhecimento a um trabalho social que pretendemos continuar, pela certeza de estarmos no caminho certo', que é o de 'resgatar crianças carentes do grupo de risco da marginalidade'. E esta ajuda, continua o Mestre Piauí, vai além do repasse de conhecimentos técnicos, para assumir a face pessoal da responsabilidade paterna, diz. 'Por vezes, somos mais importantes que os pais, sobretudo no papel de confidentes destas crianças', confessa Mestre Piauí, para completar: 'E eles passam a ser nossos filhos mesmo.'
Decidido a continuar a luta pelo reconhecimento da capoeira como fator preponderante na educação formal de crianças e jovens e, também, como identidade cultural do povo brasileiro, o mestre de capoeira se ressente da falta de espaços físicos que ajudem a formar 'agentes multiplicadores' do esporte. O Forte da Capoeira, implantado pelo governo do Estado no bairro de Santo Antônio, vem 'tendo suas funções desvirtuadas'. Em lugar de ser o espaço destinado à prática e estudo públicos da capoeira, o Forte vem sendo 'utilizado por academias particulares e até para festas de formatura', assinalou.
Saudado por integrantes do grupo Bahia Arte, o Mestre Piauí foi homenageado também com a presença, na Mesa Diretora da sessão especial, dos mestres Curió e Itapuã, esse o primeiro professor de Piauí e de quem recebeu a graduação de Mestre de capoeira. Compuseram a mesa, ainda, Edmilson Machado, coordenador de esportes da prefeitura de Salvador; Eldebrando Filho, assessor técnico de esportes e lazer de Lauro de Freitas. Edval Lucas Filho; Raimundo Almeida, representando a Capoeira Regional, e Wellington Reis Santos, secretário geral da Fetag. A sessão foi prestigiada pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, que abriu os trabalhos.
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