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Luiz Argôlo reverencia na AL a memória do Rei do Baião

Publicado em: 14/12/2010 00:00
Editoria: Diário Oficial

Afilhado do homenageado, deputado ressaltou profunda ligação de Gonzagão com sua família
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O deputado Luiz Argôlo (PP) reverenciou a memória de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, na data de seu aniversário de nascimento com uma moção, ressaltando a importância desse artista popular para a cultura do Brasil e para a formação dos brasileiros. Afilhado de batismo de Gonzaga, que tinha entre os admiradores seu pai, o pecuarista e homem público Manoelito Argolo, o parlamentar traçou, na moção que apresentou à Mesa Diretora do Legislativo, um rápido perfil do homenageado e da profunda ligação da sua família com o seu ídolo e padrinho.
Na Fazenda Rancho Alegre, de propriedade de seu pai, em Entre Rios, desde 1978 é realizada uma das melhores festas de São João da Bahia, comemoração já tradicional e focada no chamado forró "pé-de-serra", fiel às suas origens e a seus instrumentos básicos: acordeão, zabumba e triângulo – mas sem deixar de levar em conta as novidades incorporadas pelo ritmo. O nome completo do parlamentar, vale lembrar, é João Luiz Correia dos Santos, nascido exatamente no dia de São João, em 1980, quando o Rei do Forró animava uma das festas promovidas por Manoelito. O João homenageia o padroeiro do dia e o Luiz, o padrinho.
Os laços atávicos aproximaram o afilhado do padrinho e Luiz Gonzaga foi sempre, até a sua morte, em 2 de agosto de 1989, uma referência para o atual deputado, que prioriza em seu mandato a preservação da memória do artista pernambucano que criou o ritmo referência do Nordeste, que se espraiou por todo o país até se transfigurar num ícone da cultura brasileira.
Na moção que elaborou, o parlamentar informa que Luiz Gonzaga do Nascimento teria agora 98 anos de idade, pois nasceu em 13 de dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, no sopé de serra do Araripe, na zona rural de Exu, no sertão de Pernambuco.

ESCOLA

Foi no sertão que ele seguiu os passos do pai, o sanfoneiro Januário. Ainda menino, começou a tocar e animar bailes, forrós e feiras livres – inicialmente acompanhado do pai, que também era artesão habilidoso e consertava as sanfonas. Esta foi a escola de Gonzaga, frisa Luiz Argôlo, que destaca a sua permanente fidelidade musical à sua gente e a sua região, criando um ritmo próprio que aglutinou toda a ancestralidade musical dessa sofrida região brasileira. Papel que prosseguiu quando chegou ao Rio de Janeiro para impulsionar a carreira de compositor e cantor popular.
Para o deputado do PP, Gonzagão foi "uma das mais completas e inventivas figuras da música popular brasileira, levando, ao se apresentar acompanhado do acordeão, zabumba e triângulo, a alegria das festas juninas para todo o país, bem como falando sobre a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra – numa época em que o baião, o xote e o xaxado eram absolutamente desconhecidos". Luiz Argôlo citou algumas composições emblemáticas do ídolo, como Pé de Serra, que lembra suas andanças com Januário, e também Asa Branca, Aquarela Nordestina, Xote das Meninas, Numa Sala de Reboco, Assum Preto e tantas outras.
Mas, em sua opinião, a obra maior de toda a carreira de Gonzaga foi Asa Branca, canção que tem como tema a seca no Nordeste que, de tão intensa, até a ave que dá nome à música (a asa branca, uma espécie de pomba) é obrigada a migrar – como é obrigada também a população submetida ao flagelo, bem como ocorreu com o próprio Gonzaga.
Luiz Argôlo rememora a primeira viagem de retorno a Pernambuco feita por Luiz Gonzaga depois da partida para o Sul, em 1946, e fala com dor, no encerramento do seu texto, da tristeza vivida pelo sertão e por todo o Brasil quando do falecimento do nosso maior artista popular.
"No dia 2 de agosto de 1989, o Brasil e o sertão ficaram mais tristes, pois o Criador, nos seus planos, nosso poeta levou, parece que não existe o canto do sabiá, parece que as flores ficaram sem vida e a nossa pátria querida apaixonada ainda está! Que saudade assola o nosso peito, como ficamos desfeitos com aquela triste partida, podemos dizer que em nossas vidas perdemos luz e calor, sentimos a falta de uma lorota boa e não é à toa que nosso peito soluça de amor!."



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