O trabalho infanto-juvenil no estado da Bahia, apesar de decrescer nos últimos 16 anos, ainda apresenta números negativos quando comparados em nível nacional. Essa constatação foi revelada pela pesquisadora Ynaia Carvalho, que apresentou ontem, no plenarinho, o resultado de um estudo qualitativo e quantitativo que analisou uma série histórica de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad), no período compreendido entre os anos de 1992 e 2008.
Segundo Ynaia, em âmbito nacional, o trabalho infanto-juvenil ocorre, majoritariamente, em núcleos urbanos, já no estado, os estudos revelaram que esta concentração ocorre na zona rural, fato percebido anualmente – ao longo dos anos – e em todas as faixas etárias. "Esta situação é encontrada em localidades extremamente pobres, 56% das famílias vivem em situação de pobreza e indigência", enfatizou a pesquisadora, revelando que muitas crianças e jovens trabalham ligados a núcleos familiares, em pequenas lavouras de subsistência ou no trabalho doméstico não remunerado.
Ela apontou ainda a má qualidade do ensino público como um dos principais fatores de perpetuação da exploração dos jovens, já que a repetência e o atraso letivo os fazem abandonar a escola. Para ela, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) conseguiu avanços importantíssimos, mas, nos últimos anos, suas conquistas não vêm mantendo os mesmos patamares dos anos iniciais.
O estudo, que pretende nortear a adoção de políticas públicas, aponta algumas soluções emergenciais. O desenvolvimento econômico e social de algumas localidades, principalmente no semiárido, a ampliação das famílias beneficiadas pelo Peti e a melhora significativa da qualidade da educação são vistos como atitudes que devem ser adotadas imediatamente.
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