O deputado Yulo Oiticica (PT), representando a Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa, esteve ontem no Jardim Cajazeiras, onde cerca de 20 famílias ainda vivem as consequências de deslizamento de terra provocado pela chuva que caiu sobre Salvador no último final de semana. Vice-presidente do colegiado no Legislativo, o petista qualificou sua presença no bairro como forma de 'pressionar as instituições' a adotarem medidas – até judiciais, se for o caso – 'que façam justiça' aos moradores.
Os indícios aparentes sobre as causas do desabamento da encosta que isolou uma rua inteira no Jardim Cajazeiras apontam para as obras do projeto Minha Casa, Minha Vida. Mas 'a Defesa Civil do município, em um primeiro momento, e do Estado, depois, deve iniciar já o levantamento dos danos e a identificação dos culpados', disse o deputado. A empresa Ebisa é a responsável pelas obras do projeto do governo federal no local.
PRESSÃO
Os moradores não hesitam em responsabilizar o Minha Casa, Minha Vida pelo incidente que isolou a 1ª Travessa da Rua Luciano Gomes. O desabamento da encosta provocou acúmulo de barro na via em uma dimensão 'de 2,5 metros de altura', segundo afirma William Fabrício, motivador social da Conder e residente em uma das casas já condenadas pela Sucop. 'Há 40 anos, esta encosta e o muro construído antes dela existiam e nunca houve nada', corrobora Ana Maria Sales, antiga moradora do bairro. Segundo ela, somente neste ano, após o início das obras do projeto habitacional é que houve o desabamento. 'E a população tem que se unir para pressionar por uma solução, senão o caso esfria e nada acontece', diz.
Pressão é também o que quer o deputado Yulo Oiticica, lembrando que há, inclusive, moradores atingidos que necessitam de assistência médica regular, apontando a Defesa Civil de Salvador como a instância a assumir também este ônus. O deputado foi convidado a ir ao local pela Associação de Moradores e, segundo José Dias Sales, ex-diretor da entidade, a expectativa é a de que, a partir da visita do presidente da Comissão de Direitos Humanos do Legislativo baiano, haja resposta sobre 'quem é o responsável pelo acidente' e uma solução emergencial.
E ela é 'a contenção imediata do que sobrou da encosta', adianta o diretor do colégio estadual Deputado Rogério Rego. Falando em nome 'da comunidade', o professor Elias Carvalho Júnior informa que há 'outros pontos críticos' no bairro e adverte que, caso as chuvas continuem, é possível que não se conte mais com a sorte de não haver vítimas fatais, como foi no Jardim Cajazeiras.
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