Reivindicações, denúncias de tratamento inadequado e desrespeitoso por parte dos órgãos oficiais competentes e, acima de tudo, uma incerteza muito grande quanto ao futuro dos portadores do vírus da Aids marcaram a audiência pública realizada ontem pela Comissão Especial da Promoção da Igualdade, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT).
O evento foi proposto pelo Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Bahia (Gapa), numa parceria com o Fórum Baiano de Ong‘s Aids (Fobong), com objetivo de avaliar e debater as políticas públicas voltadas para prevenção, diagnóstico e tratamento no que se refere ao problema do HIV/Aids, juntamente com representantes das instituições da sociedade civil que trabalham para servir e cuidar de pessoas que vivem com o vírus.
Os debates, com a participação de vários portadores do vírus HIV, serviram para a criação de uma comissão da sociedade civil, com a participação do Gapa, Fobong e Gamps, que irá dialogar com a Secretaria de Saúde do Estado, apresentando as diversas reivindicações prioritárias discutidas ontem, contando inclusive com a participação de Gerson Pereira, chefe da Unidade de Informação e Vigilância do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.
A audiência, que contou com grande público nas dependências do Auditório Deputado Herculano Menezes, foi aberta pela deputada Fátima Nunes (PT), que de início convocou a coordenadora executiva do Gapa na Bahia, Gladys Almeida, para uma exposição das dificuldades pelas quais os portadores do vírus passam em todo o estado.
"Recentemente tivemos um desabastecimento de medicamentos, apesar de o Brasil ser considerado o país que tem o melhor sistema de apoio ao aidético no mundo. Temos para este ano um orçamento de sete milhões de reais, mas as dificuldades burocráticas impedem que as instituições da sociedade civil recebam recursos para continuar o trabalho de prevenção e assistência aos portadores do vírus", comentou Gladys.
BUROCRACIA
Regina Lasmar, da "rede nacional de pessoas vivendo com o vírus da Aids", também criticou a burocracia existente para liberação dessa verba, chegando ao ponto de afirmar que "todas as conquistas históricas obtidas no passado estão sendo perdidas, pois o portador do vírus é tratado, principalmente no Hospital Roberto Santos, como moleque de recados, tal o tratamento desumano e humilhante. A maternidade Climério de Oliveira também desrespeita as parturientes que possuem o vírus", destacou Regina.
A coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids da Bahia, Maricélia Macedo, fez uma explanação das ações do governo no apoio e prevenção da Aids em todo o estado, mas foi contestada pelos portadores do vírus que participaram da audiência. Eles confirmaram a falta de políticas públicas e o tratamento desumano que recebem também no interior.
"Foi uma audiência muito importante, pois é uma temática pouco debatida. A responsabilidade não é só da sociedade civil, mas também dos poderes constituídos. Vamos continuar na luta pela defesa de todos que são soropositivos, sem esquecer o sistema de prevenção, que também merece toda a atenção da comissão", afirmou Bira Corôa.
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