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Assembleia faz sessão especial para celebrar o Dia da África

Publicado em: 28/05/2010 00:00
Editoria: Diário Oficial

O evento de ontem no plenário foi aberto com o toque dos tambores em reverência a Oxalá
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O toque dos tambores em reverência a Oxalá abriu a sessão especial em homenagem ao Dia da África na manhã de ontem no plenário da Assembleia Legislativa, que foi decorado com panos com estampas africanas. O evento, proposto pelo deputado Bira Corôa (PT), contou com a participação de autoridades africanas, como o embaixador da República do Benin, Isidore Benjamin, os adidos culturais das embaixadas de Angola, Camilo Afonso, e da Nigéria, Ayó Ayanwale, além dos deputados federais Luiz Alberto (PT) e Lídice da Mata (PSB), do promotor de justiça, Almiro Sena, representantes das religiões de matriz africana e grupos culturais.
O Dia da África, instituído em 25 de maio, faz referência ao ano de 1963, quando 32 chefes de Estado africanos reuniram-se em Adis Abeba (Etiópia) para propor soluções à subordinação sofrida há séculos pelo continente. O resultado desta reunião foi a criação da Organização da Unidade Africana (OUA), hoje conhecida como União Africana. A Organização das Nações Unidas instituiu, em 1972, o 25 de maio como Dia da Libertação da África, para simbolizar a luta dos povos do continente africano por independência e insubordinação.
A sessão especial foi aberta pelo presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo (PDT), que ressaltou a importância dos negros para a formação da sociedade baiana e brasileira. "Parabenizo todos por esta data tão importante", disse, ressaltando a pluralidade da Casa. Na opinião do deputado Bira Corôa, não se pode trabalhar o Dia da África somente como uma comemoração. "É um dia para fazer uma reflexão e propor ações públicas de inclusão da juventude negra e afrodescendente, para que o Estado brasileiro valorize nosso povo e nossa cultura", disse.

AVANÇOS

O parlamentar ressaltou que a Bahia é o estado brasileiro com maior presença de negros e onde mais se preserva a cultura africana, mas que, por outro lado, é onde estão concentrados mais fortemente os casos de discriminação e desigualdade. "Ainda trazemos as marcas das correntes e chicotadas, pois ainda somos a maioria da população carcerária e concentramos os maiores índices de marginalização", comentou. O deputado lembrou dos avanços na área de ações afirmativas desenvolvidas pelo governo federal, como a aprovação de leis de cotas e o Estatuto da Igualdade Racial, além do lançamento da campanha Afirme-se!. "Reconhecemos que não se apagam três séculos num dia, mas tivemos avanços".
O embaixador da República do Benin, Isidore Benjamin, confirmou que no governo Lula houve um aumento do diálogo entre o Brasil e os países africanos. "Hoje temos 29 embaixadas de países africanos em Brasília. Eu não conheço cidade que tenha o mesmo número", disse. Benjamin lembrou que há uma relação especial entre a Bahia e seu país. No Benin, temos um bairro que se chama Brasil e também temos uma Casa do Brasil, como aqui tem a Casa do Benin. Meu país não vai à copa do mundo, mas tenho certeza de que a população inteira vai torcer pelo Brasil", disse.
"Precisamos aproveitar a afinidade cultural entre o Brasil e os países africanos para solidificar alianças comerciais e fechar negócios", ressaltou o adido cultural da embaixada da Nigéria, Ayó Ayanwale. Ele lembrou que em seu país há muitas pessoas que guardam relação especial com o Brasil, descendentes de negros escravizados que retornaram à Nigéria a partir do fim do sistema escravocrata. "Essa relação pode ser vista na arquitetura nigeriana que em alguns lugares é muito semelhante à brasileira", disse.
O promotor de justiça, Almiro Sena, defendeu as ações afirmativas e criticou quem levantou dúvidas sobre sua legalidade. "As ações afirmativas estão guardadas pela Constituição Federal, em seus artigos 1º, 3º e 4º, que garantem a erradicação das desigualdades e promovem a justiça social", disse. Além de pronunciamentos de autoridades, a sessão também contou com apresentações artísticas, como intervenções de poesia negra, demonstrações de toques de instrumentos de percussão e grupos folclóricos compostos por estudantes da rede pública, como o Zambiapunga.



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