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CPI do metrô ouve procurador hoje em sessão extraordinária

Publicado em: 13/05/2010 00:00
Editoria: Diário Oficial

Álvaro Gomes garantiu que a Comissão Parlamentar de Inquérito funcionará de ''forma adequada''
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Metrô de Salvador aprovou, ontem, uma série de convites às pessoas que podem colaborar com as investigações. O primeiro a comparecer à reunião da CPI será o procurador da República no estado, Vladimir Barros Aras, que teria encontrado indícios de irregularidades na obra, que se arrasta por mais de dez anos e já consumiu cerca de R$ 1 bilhão dos cofres públicos.
Para ouvir o procurador, os integrantes da comissão aprovaram uma reunião extraordinária a ser realizada hoje. Ela terá início 15 minutos após o fim da sessão plenária que acontecerá pela manhã. “Isso mostra que nossa intenção é dar celeridade às investigações”, afirmou o presidente da CPI, deputado Álvaro Gomes (PC do B). Segundo o comunista, Aras já foi contatado e não terá problemas de agenda em aceitar o convite da comissão.
A audiência com o representante do Ministério Público Federal na Bahia (MPF-BA) servirá de ponto de partida para os integrantes da CPI, que esperam ter um panorama geral das investigações. Vladimir Aras é responsável pelo processo criminal que apura suspeitas de fraudes no processo licitatório das obras do metrô.

PROCESSO

Já para a próxima quarta-feira, na sessão ordinária da comissão, está prevista a participação do também procurador da República, Wilson Rocha, responsável pelo processo cível. Além de ouvir os dois procuradores, os membros da comissão solicitarão cópias dos processos para que possam se preparar para os próximos depoimentos.
A CPI decidiu convidar também, em datas ainda a serem agendadas, as seguintes pessoas para falar na comissão: Maria Del Carmem, ex-presidente da Conder; Mario Gordilho, ex-presidente da Conder; Nestor Duarte Neto, ex-secretário municipal de Transportes (na gestão do prefeito João Henrique); Ivan Barbosa, ex-secretário municipal de Transportes (prefeito Antonio Imbassahy) e Luís Hebert Silva Motta, presidente da Companhia de Transportes de Salvador (CTS).
Também foi aprovado requerimento para que seja convidado um representante do consórcio Metrosal – formado pelas construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez e à Siemens – para que esclareça as denúncias de irregularidades envolvendo as obras do metrô. Os deputados chegaram a cogitar convocar, ao invés de convidar, as pessoas que vão depor, mas desistiram. Chegaram ao consenso de que, se o convite não for aceito, aí sim eles partirão para convocação – que obriga o depoente a estar presente na sessão da CPI.
Para o presidente Álvaro Gomes, a CPI funcionará de forma adequada e há exageros nas críticas feitas à condução dos trabalhos. “Essa dose excessiva de pessimismo pode matar a CPI. Sou farmacêutico e sei que quando a dose é excessiva ela pode virar veneno. Vamos continuar trabalhando, sem tirar conclusões precipitadas, sem pegar ninguém para Cristo, mas investigando tudo o que deve ser investigado”, afirmou o deputado.
No entanto, os integrantes da comissão cobraram que Álvaro seja mais “incisivo e enérgico” nos requerimentos encaminhados. Até agora, a prefeitura de Salvador, de modo geral, não respondeu a nenhum requerimento encaminhado pela CPI – ao contrário do governo do Estado que, segundo Álvaro, respondeu a todos. “A gente tem dado os encaminhamentos e vamos continuar cobrando”.
O deputado Arthur Maia (PMDB) chegou a afirmar que, se a CPI não mostrar mais trabalho, renunciará a seu cargo na comissão. “Não estou aqui para compor um teatro para inglês ver”, disse ele, acrescentando que “teme ver a CPI se transformar numa grande pizza”.
Maia ainda cobrou a presença de mais deputados governistas, ainda que Álvaro Gomes e o deputado Paulo Câmera (PDT), relator da CPI, estivessem presentes. “Mas não há ninguém do governo no plenário”, argumentou. Álvaro Gomes afirmou que não faltou a sequer uma sessão da CPI. “Eu sou representante da bancada de governo”.



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