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Luta de Emiliano José em defesa da Bahia é reconhecida pela AL

Publicado em: 07/05/2010 00:00
Editoria: Diário Oficial

Ao entrar no plenário lotado, o homenageado foi recepcionado de forma calorosa e entusiasmada
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O jornalista, professor e ex-deputado Emiliano José recebeu o título de cidadão baiano, em concorrida sessão especial realizada na tarde de ontem. Falar na presença de multidão, não chega a ser um exagero: além das muitas pessoas, entre autoridades e anônimos, que não encontraram cadeira e permaneceram de pé, as galerias e quatro das cinco salas de comissões permaneceram lotadas. Este fato foi ressaltado pelo líder de PT na Assembleia Legislativa, Paulo Rangel (PT), durante o discurso de elogio, procurando demonstrar quão justa foi a homenagem, proposta pela bancada petista e chancelada pela unanimidade dos parlamentares.
Entre os presentes, o ex-governador Waldir Pires, grande parte do secretariado, como o chefe de Gabinete, Fernando Schmidt, que representou o governador; representantes do Tribunal de Justiça, a exemplo da presidente em exercício, desembargadora Maria José Sales; o procurador Geral da Justiça adjunto, José Brito; a Defensora Pública Geral, Teresa Almeida; muitos jornalistas, militantes de esquerda da época da ditadura e grande representação do PT, incluindo prefeitos, deputados federais, estaduais, vereadores e dirigentes partidários.
Uma forte percussão envolveu o plenário, adornado por painéis com motivos afros, quando o presidente Marcelo Nilo designou a comissão de recepção formada pelos deputados Paulo Rangel, Valmir Assunção, Capitão Tadeu, Neusa Cadore e Álvaro Gomes. A comitiva foi recebida no recinto de pé e por um aplauso entusiasmado que se confundiu com o ribombar dos tambores. Do discurso de Paulo Rangel veio a explicação para a decoração e a música: Filho de Oxóssi. Emiliano foi um grande defensor da cultura e religião negras, durante a Assembleia Constituinte de 1989 e, em outro mandato, ocupou a presidência da Comissão Especial para Assuntos da Comunidade Afrodescendente. Afinal, uma cultura que o paulista de Jacareí aprendeu a respeitar e amar.

LUTA

O pronunciamento de Rangel foi precedido por uma exibição de vídeo, mostrando  passagens da vida de Emiliano. Ali se pôde ver ele ainda jovem, com os vários contatos e diversos aspectos ao longo da vida, incluindo uma foto em preto e branco em que ele ostentava um volumoso bigode, à imagem e semelhança de Zapata, homônimo mexicano que personificou a revolução naquele país. O líder petista foi bastante objetivo, fazendo questão de deixar claro que aquela homenagem era da Assembleia, por iniciativa da bancada do PT.
Rapidamente, citou o nascimento, em 1946, e o espírito de luta. “Apesar das dificuldades, nunca deixou se abater pela dura realidade da família”, disse, considerando que ele “nunca desistiu de lutar e assim prossegue até os dias de hoje”, servindo de exemplo como ser humano. “Os obstáculos nunca o enfraqueceram e as descobertas sempre o impulsionaram. Foi esta disposição que o levou para a política ainda estudante, chegando à diretoria da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).
Com o advento da ditadura de 1964, passou para a clandestinidade e entrou na Ação Popular. Como militante da AP, “ele se fazia presente onde e quando fosse preciso, acreditando que, mesmo sob a forte repressão do AI-5, ainda era possível continuar na luta revolucionária”, contou. Foi assim que Emiliano chegou à Bahia no início da década de 70.

AGRADECIMENTO

Em seu discurso de agradecimento, Emiliano lembrou desse momento, citando nome por nome, todos os que os acolheram,  até ele ser preso no final daquele mesmo ano, ficando na Penitenciária Lemos Brito por quatro anos. “Conheci o inferno”, definiu, citando muitos dos colegas de infortúnio como Luiz Contreiras, presente ao evento, e Magno Burgos, morto no ano passado.
Como serviços prestados à Bahia, Rangel citou não só o trabalho de resistência política, como o exercício do jornalismo, profissão que abraçou ao ingressar na Tribuna da Bahia. Citou os diversos veículos em que atuou e as várias reportagens, a exemplo de “Chumbo Neles”, matéria publicada em 1977, pelo jornal Invasão, que denunciava a contaminação pelo chumbo dos operários da Cobrac, em Santo Amaro.
Já na década de 80, Emiliano passou a transmitir seus conhecimentos, também como professor da Faculdade de Comunicação da Ufba. Nessa época, ele já havia se voltado para a política partidária, tendo sido eleito, além de deputado constituinte, vereador de Salvador em 2000 e novamente deputado estadual, entre 2003 e 2006, tendo ficado na suplência de deputado federal, tendo assumido o mandato no ano passado. Desde 1997 no PT, para Rangel é “uma referência para o partido”.

ÉTICA

O protocolo da sessão especial de entrega de título foi quebrado para permitir o pronunciamento de Waldir Pires. Ele elogiou a Assembleia pela homenagem e disse que fez uma exortação à democracia e afirmou que a inciativa “é sinal do tempo de civismo que estamos vivendo”. Sobre Emiliano, disse que, quando era governador, travou conhecimento com o jovem deputado e o identificou “como um homem de grande vocação pública e política”. Waldir pregou ainda a democracia e disse que “a ética da democracia é a solidariedade”.
Emiliano ocupou a tribuna para agradecer à Assembleia por “esse batismo”. Ele lembrou as duas ocasiões em que exerceu mandato na Casa e garantiu que, apesar das diferenças políticas, fez muitos amigos. “Este é um daqueles dias que marcam nossas vidas para sempre”, disse, citando as presenças da mãe, Maria Aparecida, o irmão Edvard com a esposa, e o filho Teodomiro, “parceiro de toda vida.
“Celebro a presença tão carinhosa, tão emocionante, que torna esse batismo ainda muito mais especial”, disse. No discurso, ele também fez uma homenagem a todos aqueles que amaram a revolução. “Hoje é curioso observar que, em tempos tão sombrios como aqueles, sob uma ditadura tão violenta, fôssemos embalados por sonhos tão generosos e ousados”, afirmou. Ao final do pronunciamento, Emiliano surpreendeu a todos cantando versos da música “Marinheiro Só”.



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