O projeto Irê Ayó – Educação para as Relações Étnico-Raciais foi discutido e analisado ontem pela manhã, na Assembleia Legislativa, em audiência pública com a Secretaria de Cultura do Estado, numa iniciativa da Comissão Especial da Promoção da Igualdade, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT).
O objetivo principal da audiência foi trazer para conhecimento dos integrantes do colegiado, educadores e representantes dos movimentos negros, as experiências pedagógicas do projeto Irê Ayó, assim como outras ações políticas no trabalho das relações étnico-raciais na Bahia, desenvolvidas pela Secretaria Estadual de Cultura.
Todas essas ações são voltadas para a promoção da igualdade e o deputado Bira Corôa fez questão de incluir esta discussão no cronograma de trabalho do colegiado que preside, já que o deputado considera de vital importância a inclusão dessa temática no sistema educacional e curricular existente.
O parlamentar petista considera o processo de formação do jovem para o exercício da cidadania com inclusão social, principalmente nos casos dos negros e indígenas que continuam sofrendo discriminação, tão ou mais importante que a formação profissional.
“É necessário incluir os discriminados, negros, índios e outros no processo de ensino, observando os princípios desses povos. O sistema de cotas tem o seu valor, mas a inclusão tem que ser bastante ampla. Essa é a realidade que estamos enfrentando. Precisamos de projetos pedagógicos que afirmem a inclusão social”.
ALEGRIA
A professora Vanda Machado, coordenadora do projeto Irê Ayó e representante da Secult, fez uma ampla explanação da proposta da Secretaria de Cultura, destacando de início que o termo Irê Ayó significa Caminho da Alegria na língua Iorubá. Lembrou que a função do Estado é buscar a possibilidade do direito e a história como política afirmativa.
1.“O estado deve reparar os danos psicológicos diante de tanta discriminação. Nos hospitais, os médicos são brancos, as enfermeiras são brancas com algumas auxiliares negras. Entretanto, todos que carregam as macas são negros. Temos, hoje, uma sociedade que não fala do passado e não lembra dos nossos ancestrais”.
A professora destaca as leis que poderão mudar o sistema curricular para que este possa contemplar uma criança negra ou indígena no Brasil e na Bahia, o estado considerado mais negro do país. A luta do projeto que coordena, aliás bastante elogiado pelos presentes na audiência pública, é também para combater o racismo e “essa coisa naturalizada de miséria negra”.
Vanda ainda destaca que o objetivo da proposição é propiciar o reconhecimento e a valorização da história e cultura de cada lugar, além da inclusão curricular nas escolas sobre a consciência da nossa origem africana.
O professor Antônio Cosme, representando o Terreiro do Cobre, defende a solidariedade e por isso o reconhecimento das escolas aos alunos que se aproximam do próximo para ajudá-los. Na sua opinião as escolas valorizam somente os alunos que tiram notas altas e deixam de lado aqueles que ajudam um colega para completar um trabalho ou mesmo um dever.
“A escola que é oferecida à população negra tem a mesma modelagem do passado. Os índios já não aceitam esse modelo e querem um escola voltada para seus princípios básicos, com estudo específico sobre seus ancestrais. O governo do Estado já enviou para a Assembleia um projeto para contratação de 720 professores indígenas”, concluiu Bira Corôa.
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