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Comissão promove audiência sobre educação especial e inclusão social

Publicado em: 14/04/2010 00:00
Editoria: Diário Oficial

Bira Corôa disse que vai continuar lutando pelas ações de políticas públicas que visem a inclusão social
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A Comissão da Promoção da Igualdade vem realizando uma série de audiências públicas de grande interesse para os diversos segmentos da comunidade baiana. Ontem pela manhã, por indicação do professor Admilson Santos, palestrante da Faculdade de Educação da Ufba e do Departamento de Saúde da Uefs, debateu amplamente a temática sobre o "processo de educação especial e a inclusão social", um assunto que necessita urgentemente de ações políticas por parte dos governantes.
O colegiado presidido pelo deputado Bira Corôa (PT) e todos os convidados assistiram atentamente a vasta exposição do professor, autor inclusive da tese de doutorado intitulada "Representação do Esporte sobre a Ótica de Pessoas Cegas". O palestrante fundamentou todas as suas informações sobre a discriminação com os deficientes físicos em geral, em leis que existem, mas não são cumpridas, causando transtornos e constrangimentos aos mesmos, no exercício da cidadania.
Os direitos dos deficientes garantidos em forma de leis e desconhecidos pela sociedade são tão importantes que o deputado Bira Corôa pretende confeccionar cartilhas ou folders detalhando todas essas garantias, obrigando o cumprimento das mesmas pela comunidade em geral.
Segundo dados do IBGE, 14,5% dos brasileiros, no momento, são portadores de algum tempo de deficiência, o que representa 169 milhões de pessoas em todo o país. O professor Admilson relatou casos absurdos e desumanos que continuam ocorrendo em pleno século 21, num preconceito tão grande que eles não podem sequer trabalhar para não perder a bolsa que possuem de um salário mínimo, ajuda do INSS.

CRÍTICAS

O coordenador de educação especial da Secretaria de Educação do Estado, João Prazeres, que inclusive é portador de deficiência visual, considerou que o deficiente vive numa cidade completamente inacessível e que o cego, como é seu caso, não tem acessibilidade sequer nos shoppings. "O governo do Estado vem criando criando centros de atendimento aos deficientes em vários municípios e já atingimos 170 cidades" disse João Prazeres, ressaltando o Fórum Permanente de Políticas Públicas criado recentemente para os deficientes. Além disso, a SEC está enviando para a Assembleia um projeto de lei instituindo o ensino de Libra.
O deficiente físico Antônio Jorge Alves, presidente da Associação Baiana, fez severas críticas aos governantes, afirmando que ele não se considera um deficiente, pois, na sua ótica, deficiente é o próprio Estado que durante muitos anos não criou políticas públicas para que as pessoas pudessem exercer a cidadania plena.
O deputado Bira Corôa, ao final da audiência, fez questão de destacar que "estamos numa sociedade desigual, numa lógica muito clara, já que durante muitos anos a Bahia foi alimentada pela discriminação. Esquecemos de incluir, entre os deficientes, os portadores de doença renal que precisam de acompanhante e estes sequer possuem uma credencial para entrar num ônibus. Os albinos também precisam também de muito apoio, como todos os outros deficientes. A Bahia consolidou-se ao longo dos anos como um dos estados mais perversos na questão dos deficientes. Vamos continuar, nesta Casa, lutando pelas ações de políticas públicas que visem a inclusão social e o pleno exercício da cidadania por parte de todos os deficientes", concluiu Bira Corôa.



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