Em homenagem ao bicentenário de emancipação político-administrativa do município de Caetité, transcorrido no último 5 de abril, o deputado Waldenor Pereira apresentou moção de congratulação na Assembleia Legislativa da Bahia, na qual destaca a sua importância econômica, histórica e cultural no cenário baiano.
"Conhecida por sua educação e foco civilizador, Caetité comemora 200 anos, e como deputado estadual tão próximo a essa terra, através de laços familiares, quero parabenizar os seus moradores, em especial os companheiros do Partido dos Trabalhadores, desejando ao município sua volta ao cenário nacional como pólo de cultura e modernidade", registrou o parlamentar.
Conforme o registro, Caetité foi território originalmente habitado por indígenas da linhagem Jê (Tupinaens e Pataxós), e em 1724 passou a pertencer à Vila de Rio de Contas. No dia 5 de abril de 1810 foi elevada a cidade, participando indiretamente das lutas pela Independência da Bahia, ao apoiar o Governo Provisório instalado na Vila de Cachoeira. Encerradas as lutas contra as tropas portuguesas no Recôncavo, Caetité torna-se palco para o episódio do Mata-maroto, lutas entre brasileiros e portugueses, que se seguiram até 1823.
Na homenagem, o petista destaca o crescimento da importância de Caetité no cenário nacional, pelas suas figuras históricas com os tribunos Aristides Spínola (ex-governador de Goiás e mais jovem parlamentar no Império) e Cezar Zama, grande polemista e maior adversário, na tribuna, de Rui Barbosa – ambos abolicionistas e republicanos.
Em 1894 faz o primeiro governador eleito do estado, Dr. Rodrigues Lima, genro do Barão de Caetité, assistindo pela primeira vez a ação efetiva do poder público estadual sobre os municípios através da modernização das suas instalações públicas (dentre outras ações, a construção de açudes, Cemitério Municipal, Mercado e a Primeira Escola Normal do alto sertão).
"No cenário político-cultural, a cidade é berço de figuras como Nestor Duarte, a pintora Lucília Fraga, os escritores Marcelino Neves, João Gumes, Nicodema Alves e, mais recentemente, Vandilson Junqueira, Erivaldo Fagundes Neves entre outros. João Gumes foi, pessoalmente, o responsável por instalar em Caetité o primeiro jornal do alto sertão: o periódico A Pena, que hoje constitui-se no principal acervo do Arquivo Público Municipal de Caetité", lista Waldenor Pereira.
Na parte religiosa, o deputado também lembra que o município teve sua diocese instalada em 1915, sendo empossado o bispo – dom Manoel Raimundo de Melo – e foi este mais um fator de desenvolvimento da cidade. Na educação despontou o nome de Anísio Teixeira, lutando por reerguer a Escola Normal, depois transformada no instituto que leva seu nome.
Politicamente, a ditadura militar de 1964 foi um duro golpe para a cidade; "secularmente defensora da liberdade", diz a moção. Os assassinatos obscuros de Anísio Teixeira e do poeta Camillo de Jesus Lima fizeram com que o tradicional polo de educação e cultura assistisse seu declínio. Apesar disso, foi ali que teve início o trabalho de documentação das atrocidades do regime, capitaneado pelo pastor Jaime Wright.
Das características econômicas e sociais, a moção de Waldenor Pereira observa que o município localizado na região Sudoeste da Bahia, com uma população estimada em 46.162 habitantes, uma área de 2.306 km2, tem índice de desenvolvimento humano de 0,673, possui uma pecuária de corte (32 mil cabeças de boi) e na agricultura a produção de mandioca, cana-de-açúcar, feijão, milho e café. Possui indústrias de cerâmica, alimentícia e manufaturas têxteis. Destaca-se na mineração pela exploração de ricas jazidas de urânio, ametista e manganês.
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