A extensão do trem do subúrbio até o metrô e a criação do Terminal Rodoferroviário Metropolitano de Simões Filho/BR-324 foram dois dos assuntos mais debatidos durante a audiência pública promovida pela Comissão de Promoção da Igualdade, ontem pela manhã, na Assembleia Legislativa.
O colegiado, presidido pelo deputado Bira Corôa (PT), contou com a participação de representantes de todos os segmentos interessados na recuperação da malha ferroviária do subúrbio e Região Metropolitana de Salvador, além de municípios, como Alagoinhas, Nazaré das Farinhas e outros, que praticamente desapareceram em termos financeiro, social e econômico, com a desativação da mesma.
O principal objetivo da audiência pública, solicitada inclusive por diversos movimentos que lutam por esta causa, é a interligação dos bairros com o centro da cidade, bem como o encurtamento de distâncias no eixo intermunicipal. Segundo o deputado petista, a melhoria dos trens e da malha ferroviária faz-se necessária para um melhor escoamento no transporte público e também da produção gerada por esses municípios.
Todas essas localidades ainda sofrem com o prejuízo comercial e praticamente desapareceram com a falta do trem para o escoamento de vários tipos de produto que produzem. Além disso, o comércio ambulante nas estações de embarque e desembarque contribuía em muito para a geração de emprego e renda, pois os vendedores ambulantes ofereciam produtos típicos das suas regiões e de grande aceitação popular.
"Acima de tudo, as ferrovias não ofendem o meio ambiante. Como filho de ferroviário e tendo nascido no subúrbio, não posso deixar de lutar com todas as forças por esta causa que pertence a milhares de baianos. Uma máquina consegue puxar 12 vagões, transportando muitos passageiros e economizando um bom número de ônibus pelas rodovias, sem falar na despoluição", alerta Bira Corôa.
O parlamentar culpa as políticas que eram praticadas no Estado, onde sempre se concedeu privilégios ao sistema de transporte rodoviário em detrimento ao sistema ferroviário. Existe um impasse muito grande entre a Companhia de Transportes Urbanos (CBTU) e a Ferrovia Centro Atlântica (FCA) de propriedade da Companhia Vale do Rio Doce, sobre a utilização de uma parte da malha rodoviária apenas para transporte de cargas. A maior parte do tempo, a malha fica ociosa e aqueles que lutam pela revitalização do sistema ferroviário desejam utilizá-la também para trens de transporte de passageiros.
"Precisamos de uma comissão suprapartidária com a participação de todos os segmentos engajados nesta luta para discutirmos com as empresas essa morosidade nas negociações. Não suportamos mais esse cartel do transporte rodoviário comando por alguns grupos. Existem tanto no sistema de passageiros como no de cargas e até mesmo com relação aos cegonheiros que transportam veículos produzidos na Bahia e são comandados por São Paulo", ressalta Bira Corôa.
AUDIÊNCIAS
A comissão aprovou ontem a realização de mais duas audiências públicas para este semestre. Os temas serão: O Negro na Mídia e a Educação Especial e a Inclusão Social. As datas serão confirmadas na próxima reunião do colegiado.
REDES SOCIAIS