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Mulheres ganham homenagem na AL

Publicado em: 29/03/2010 00:00
Editoria: Diário Oficial

Representantes dos mais diversos setores da sociedade participaram da mesa diretora dos trabalhos
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"...Um fio invisível e tônico/pacientemente cose a rede/de nossa milenar existência". Este excerto do poema de Conceição Evaristo deu o tom da sessão especial que comemorou, na última sexta-feira, o centenário da criação do Dia Internacional da Mulher. Convocada pela deputada Neusa Cadore (PT), a sessão homenageou a luta desenvolvida pelas mulheres brasileiras em diversos setores de atuação, chamou a atenção para a participação feminina nas eleições majoritárias deste ano e revelou dados que surpreendem.
Segundo levantamento da deputada Neusa Cadore e de Rosane Silva, da Central Única dos Trabalhadores – CUT Nacional, é ainda pífia a representação feminina na política institucional: apenas 8% de mulheres deputadas federais e 13% de senadoras. No caso da Bahia a pequena participação da mulher no Poder é ainda mais significativa. São 10 deputadas estaduais (contra 53 homens) e 46 prefeitas, num universo de 417 municípios.
Por isso mesmo a sessão especial teve como tema central Mais Mulheres no Poder e já na abertura a deputada Cadore clamou pela parceria do Estado na luta feminina por mais espaço nos poderes e pugnou por uma reforma política que amplie a cota destinada às mulheres nas eleições brasileiras. Levantamento divulgado pela deputada petista depura a situação. A presença feminina em cargos de decisão é " incipiente" e há destaque apenas na área empresarial, onde o Brasil aproxima-se da marca mundial (24%), ao ostentar percentual de 21% de mulheres em cargos de chefia.

PRECONCEITOS

Nas demais esferas, os números são parcos. No âmbito do Poder Executivo, " a sub-representação feminina é evidenciada. O Brasil nunca teve uma mulher na Presidência da República... e as mulheres ocupam cerca de 70% das pastas públicas relacionadas às áreas de Educação e Assistência Social... o que demonstra as dificuldades encontradas pelas mulheres em romper concepções conservadoras que associam e reduzem seu campo de trabalho a esterótipos de gênero".
No Legislativo esta sub-representação é constatada pela União Interparlamentar (IUP). Dados da entidade revelam "percentual muito baixo de presença feminina em assembleias legislativas e câmaras, federal e municipal...quadro que se deve a diversos motivos, dentre eles a ideia ainda reproduzida de que à mulher cabe o espaço doméstico ou privado, e não o público, o da política, culturalmente reservado aos homens".
No caso do Poder Judiciário a proporção diminui na medida exata em que sobe a hierarquia. Assim é que, dos 44% de advogadas o percentual cai para 30% quando da ocupação de cargos na magistratura, despenca para 19% nos conselhos nacionais de justiça e chega a 15,5% nos tribunais superiores. No STF, completa o levantamento, são duas mulheres e nove homens e somente há dez anos foi nomeada a primeira mulher para a Corte Suprema.
"A presença massiva das mulheres na advocacia mostra que, no que depende de estudo e competências para o ingresso em instâncias que exigem concurso público, as mulheres alcançam sucesso. Mas as dificuldades aumentam à medida que precisam de indicação para ocupar cargos de maior nível".
Por fim, a estatística da presença feminina na sociedade conclui que, "apesar das importância em termos numéricos,... as mulheres ainda recebem salários inferiores aos masculinos, ocupam cargos de menor status social e são minoria nos postos de decisão". Então, diante desta situação, as mulheres que lotaram o plenário, as galerias e a Mesa diretora da sessão especial, tiveram sua luta e esforços por mais conquistas como que representados nos versos de Conceição Evaristo: " A noite não adormecerá/ jamais nos olhos das fêmeas".



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