A violência e falta de aparelhamento policial foram os temas mais recorrentes da sessão especial realizada ontem na Assembleia Legislativa para comemorar os dez anos de emancipação política do município Luís Eduardo Magalhães. O evento reuniu diversas autoridades políticas, a exemplo do senador César Borges, e representantes das principais entidades dos produtores do agronegócio. Alguns pronunciamentos evocaram a aventura da colonização da localidade, outros lembraram o processo político de desmembramento do território de Barreiras e não houve quem esquecesse de citar a pujança do jovem município que já é a décima economia do estado. No entanto, ninguém se esqueceu de abordar, de alguma maneira, o clima de insegurança.
Penúltima autoridade a falar, o prefeito Humberto Santa Cruz chegou a se dispor a ir à Secretaria de Segurança Pública, assim que terminasse a sessão, para levar uma proposta de convênio envolvendo o município e 30 entidades locais com o objetivo de construir um anexo da delegacia com 400m2. O deputado Júnior Magalhães (DEM), proponente da sessão e o primeiro a falar durante a tarde de ontem, já tinha dito: "Não conheço outro lugar em que a sociedade civil organizada ajude tanto o governo", citando especificamente a construção da sede de polícia e a compra da viatura pela comunidade.
O parlamentar democrata disse que Luís Eduardo Magalhães cresce a uma taxa de 10% ao ano e mostrou preocupação com os reflexos desse crescimento se for desordenado. Ele fez comparação com sua cidade, Candeias, que passou pelo mesmo processo no passado, o que gerou uma série de desafios a serem vencidos, com destaque para a desorganização social e o consequente aumento da violência. Para o município do Oeste, contou que existem duas indicações – dele e do deputado Sandro Régis (PR) – pedindo a instalação de uma companhia independente da Polícia Militar. São também de sua lavra gestões junto ao Tribunal de Justiça para a instalação de fórum naquela cidade.
COMUNITÁRIO
Carlos Cabrini, vice-presidente do Conselho de Segurança Comunitário, deu números à situação atual. "Temos apenas um delegado, um escrivão e um agente policial a cada turno na Polícia Civil", disse, referindo-se ainda ao efetivo de 59 policiais militares e quatro viaturas, sendo duas alugadas pelo próprio conselho. Segundo os cálculos de Cabrini, existe hoje um policial para cada 4,5 mil habitantes. Segundo ele, a delegacia atual foi dimensionada para uma cidade com dois mil habitantes, e hoje o município conta com mais de 50 mil moradores.
Partindo para um discurso mais político, a deputada Antônia Pedrosa (PMDB ) voltou a defender a criação do estado do São Francisco, dizendo que o governador Jaques Wagner pediu um prazo de dois anos para melhorar a situação no Oeste, mas que nada ocorreu. O presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia, Valter Morita, lembrou dos "atores" que transformaram um posto de gasolina no sexto município exportador do Nordeste, citando a atual prefeita de Barreiras, Jusmari Oliveira (PR), o marido dela, Oziel Oliveira, primeiro prefeito daquele município, e muitos outros imigrantes foram morar em baixo de lona para desbravar o Oeste.
Como empresário, comemorou a retomada da safra este ano aos níveis anteriores à crise econômica internacional de 2008 e da quebra da safra naquele ano por fatores climáticos. Morita aproveitou a sessão para fazer um apelo pela emancipação dos distritos de Roda Velha e Rosário, em São Desidério e Correntina, dizendo que o exemplo de Luís Eduardo Magalhães precisa ser seguido.
SAGA
A saga da emancipação foi relatada de forma multifacetada. Pedrosa lembrou da participação do então prefeito de Barreiras, Antônio Henrique, para demover o então presidente do PSDB, Saulo Pedrosa, a retirar a ação na Justiça que tentava reverter o desmembramento do território. Jusmari Oliveira, então deputada que encampou o projeto do ex-deputado Luiz Braga, e César Borges, governador da época, contaram a luta para a criação do município (na ocasião foi emancipado também o atual município de Barrocas). A participação do senador Antonio Carlos Magalhães foi ressaltada como decisiva em todos os pronunciamentos que trataram da ocasião da emancipação.
Jusmari chegou a se emocionar ao lembrar dos ataques pessoais que sofreu por defender a emancipação e o apoio que recebeu de Borges. Ele, por sua vez, lembrou que chegou a colocar a disposição do presidente da Assembleia Legislativa da época, Antonio Honorato, para que sua assessoria jurídica obtivesse liminar junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, para garantir a realização do plebiscito sobre o desejo da população em relação ao desmembramento, marcado para o dia seguinte. Falaram ainda na tarde de ontem, o ex-prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Oziel Oliveira, o presidente da Associação Comercial, Jair Francisco; o representante do Clube dos Advogados do município, Valmor Mariussi; o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Vanir Antonio Koln; e o presidente da Câmara Municipal daquela cidade, Eder Ricardo Fior.
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