Foi lançado ontem o Prepara-se no Legislativo, programa permanente do governo do Estado voltado para os funcionários públicos efetivos que estejam prestes a se aposentar. Esta é a primeira edição conjunta do programa envolvendo os poderes Executivo e Legislativo, ressalta o superintendente de Recursos Humanos da Assembleia, Acurcio Vaz. Segundo a superintende da Suprev – entidade parceira da Assembleia ao lado da Secretaria da Administração –, Daniela Gomes, o Prepare-se tem por objetivo primeiro dizer não à ociosidade e ao sedentarismo dos aposentados.
Para isso, uma série de atividades é desenvolvida, como palestras, oficinas, mostras de arte, além da prestação de serviços a exemplo de exames médicos, oftalmológicos e glicêmicos. Mas manter ativos os idosos é um grande desafio, não só para o Estado como para a sociedade, é o que destaca a mestra e doutora em psicologia social Lúcia França.
Palestrante magna da programação de ontem, França destaca que há um tripé a ser enfrentado por todos. Pelo governo, o desafio é "pagar a pensão e garantir serviços médicos e sociais de qualidade aos idosos". O segundo enfrentamento caberá à sociedade, que precisa acabar "com os preconceitos, inclusive os cognitivos, durante o processo de envelhecimento". O terceiro e último desafio é para ser encarado pelos próprios idosos, diz Lúcia França. A estes cabe continuar "desenvolvendo a vida, independentemente do tempo trabalhado".
SOLUÇÕES
Segundo a psicóloga, que escolheu o tema O Desafio da Aposentadoria como foco da palestra, estes são desafios a serem enfrentados desde já. A mudança exige tempo e planejamento, é a palavra-chave, "é a solução", diz. E ela passa, fundamentalmente, pelo Estado "que tem que incentivar a independência dos idosos e criar leis que funcionem como facilitadores da manutenção dos aposentados no mercado de trabalho".
Isto porque, completa, a expectativa de vida do brasileiro é cada vez maior. Segundo dados apresentados, hoje, os cidadãos vivem 50% mais do que há 50 anos. E a previsão é ainda mais preocupante: "Em 2050, a expectativa de vida será de 80 anos", assegura Lúcia França, contra os 73 anos de vida média do brasileiro atualmente.
E o "Estado tem que se antecipar a esta situação", de forma a facilitar aos aposentados continuarem tendo uma vida economicamente ativa. Além disso, a questão atingiria também as universidades, que devem começar a pensar em uma reforma curricular, de forma a que "a gerontologia passe a integrar todos os cursos de graduação", defende França.
A questão da idade está presente em todas as áreas, completa, lembrando que ela se faz presente na arquitetura, engenharia, nutrição, nas artes e no setor de transportes. "Todos estes profissionais se deparam com situações que precisam ser adequadas aos idosos", finaliza Lúcia França.
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