Com o objetivo de debater o tema Economia e Vida, mote da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010, lançada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), foi realizada no plenário da Assembleia Legislativa uma sessão especial proposta pelo deputado Yulo Oiticica (PT). O encontro reuniu lideranças religiosas, representantes do governo e da sociedade civil organizada, que puderam dar a sua contribuição para que o lema da campanha "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro" seja difundido para a sociedade.
O presidente Marcelo Nilo abriu os trabalhos convocando as lideranças para formar a mesa e elogiou a iniciativa do deputado Yulo Oiticica de trazer o tema para a Casa Legislativa, ressaltando que os deputados representam todos os segmentos da sociedade, com suas diferenças, inclusive religiosas, e que nos últimos três anos o parlamento baiano buscou acolher a todas elas sem distinção. Em seguida, Marcelo Nilo passou a presidência para Yulo Oiticica por ter de cumprir compromisso anteriormente agendado.
O petista agradeceu a presença dos convidados e afirmou que o tema da Campanha da Fraternidade pretende despertar na sociedade a ideia de que um outro mundo é possível e que a construção desse novo mundo é uma tarefa de toda a sociedade organizada. "Não mudaremos a situação social e econômica injusta sem política, por isso conclamo os meus irmãos e irmãs da igreja que como gesto concreto, forte e profético, digamos não à economia de mercado e suas mazelas", advertiu.
O deputado disse que a Campanha da Fraternidade 2010 é uma oportunidade para uma importante reflexão sobre a economia e a necessidade dessa de servir ao bem comum, caracterizado como o conjunto de condições sociais que permitem e favorecem à pessoa o desenvolvimento integral da sua personalidade. "A economia de mercado pressupõe o ser humano como um ser-mercadoria, consumista. Já o bem comum denota um homem pleno em sua liberdade, dignidade e direito à busca da felicidade", disse Yulo Oiticica.
CRISE
O vice-presidente da Ação Social Arquidiocesana (ASA), padre José Carlos, que representou na oportunidade o arcebispo Primaz do Brasil dom Geraldo Majella, disse que o tema da campanha vem em um momento oportuno, após o mundo vivenciar uma crise econômica global. "Precisamos analisar a realidade que vivemos, não a partir apenas de estatísticas, mas visando o ser humano. Não basta melhorarmos a produtividade, batermos recordes de vendas de carros e termos grandes safras agrícolas para exportação. Não basta termos um superavit muito bom. Cada cidadão tem que ter participação no progresso do seu país", exortou o padre.
A secretária da Casa Civil do Governo do Estado, Eva Maria Chiavon, afirmou que o encontro realizado na AL é de extrema importância para induzir na sociedade brasileira a ideia de que é preciso enxergar a importância de construir um projeto alternativo ao que coloca a economia como o centro da vida. "Temos a necessidade de uma economia a serviço da vida e não o lucro como centro de uma estratégia de sociedade", disse a secretária.
Eva Chiavon afirmou que essa tarefa também é do governo e que projetos nesse sentido estão sendo realizados nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, mas que é preciso que sejam construídos outros caminhos e estratégias para que a dignidade humana seja valorizada, considerando também outras formas de riqueza que levem em conta o ser humano. "Que vida nós queremos, que Estado devemos construir, nada mais fértil que investir nesse debate", afirmou o secretária.
A supervisora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio- econômicos (Dieese), Ana Georgina, agradeceu o convite e a todas as religiões cristãs por terem escolhido um tema tão importante para a Campanha da Fraternidade deste ano. Ela informou que o Dieese calculou em fevereiro que o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas viver com dignidade seria de R$ 2.200, um quarto do valor oficial atual, que é de R$ 510.
Georgina comentou que atualmente, além de aumentos de salário, as centrais sindicais estão lutando para que haja uma redução na jornada de trabalho. "Talvez, ao invés de ter coisas, ficaríamos mais felizes de ter tempo para fazer coisas, como estar com a família, praticar nossa religião e nos aperfeiçoar em alguma coisa. Embora vendamos nossa força de trabalho, não estamos vendendo a nossa alma", afirmou a economista.
Participaram também da sessão especial o reverendo Cláudio Soares, da Igreja Presbiteriana Unida, o representante da Cáritas Brasileira, José Carlos Moraes, o capelão da Base Aérea de Salvador, Osório de Freitas, o padre Jorge Brito de Souza, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, o chefe de gabinete da Secretaria de Trabalho, Emprego e Renda (Setre), Elias Dourado, a vereadora do município de Tremedal, Maria Ferraz de Melo, entre outras autoridades e lideranças comunitárias.
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