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Mulheres baianas lutam para ampliar horizontes políticos

Publicado em: 27/11/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Representantes das mais diversas localidades da Bahia prestigiaram o seminário em Salvador
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Das janelas do Hotel Sol Victória Marina, no Corredor da Vitória, pode-se ver, diariamente, a imensidão do mar e da Baía de Todos do Santos. Mas ontem, em seu auditório, não só essa imensidão foi percebida. No 1º seminário estadual, "Mulheres no poder fazendo a diferença", promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa, além de se evidenciar os inúmeros anos de preconceitos, de machismos e autoritarismo, revelando com isso o imenso abismo social e político enfrentado pelas mulheres, pode-se perceber também que elas estão trilhando um caminho certo que as levarão a concretizar a imensidão do sonho de alcançar mais espaços no poder e assim construir um mundo mais justo, sensível e igualitário. "Não adianta ser mulher e só chegar ao poder. É preciso ter consciência que, ao chegar neste espaço, é necessário elevar a consciência da sociedade marcada pela desigualdade de gênero, mostrando que mulheres no poder fazem, com certeza, a diferença", enfatizou a deputada petista Neusa Cadore, presidente do colegiado.
Prefeitas, vice e vereadoras de diversos municípios do estado diminuíram a imensidão da Bahia, mostrando que, apesar do distanciamento geográfico, todas que participaram do evento estão imbuídas dos mesmos desejos. Edilene Paim, vereadora da cidade de Coração de Maria, revelou que na Câmara municipal divide os trabalhos legislativos com mais três colegas. Um avanço, para ela, uma vez que "muitos partidos aplicam a lei de cotas no sentido de preencher as vagas e não como prioridade". Já Gerusa Dias Laudano, prefeita da cidade de Pojuca, destacou que apesar das conquistas, "as mulheres ainda não se conscientizaram que elas podem, com sua sensibilidade e força, unindo ao aprendizado já conquistado, mostrar que tudo é possível". Marivânia Silva, vice-prefeita de Ribeira do Amparo, fala orgulhosa de sua conquista. "Sou a primeira vice da cidade", ressaltou, revelando que em outro processo eleitoral, quando pleiteava o cargo de prefeita, após não ter conseguido ganhar as eleições, foi agredida pelo seu adversário. "Registrei queixa, mas, como a Lei Maria da Penha ainda não existia, ele não foi condenado".

PALESTRAS

A socióloga Stefane Silva, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, defendeu que existe uma "sub-representação das mulheres na política". Para ela, dentre outros aspectos, existe a ótica perpetuada de que as mulheres não têm interesse e não estão preparadas para o poder. "Muitas vezes, até mesmo as próprias mulheres acham que têm que se modificar para participar da politica e, com isso, acabam preservando a visão masculina". Segundo Ana Alice Alcântara Costa, pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), da Ufba, a ampliação das cotas destinadas para as mulheres precisam ser revistas. "Somos 51,73% do eleitorado brasileiro, e a média geral da ocupação feminina é de apenas 10%". Segundo ela, a rejeição contra as mulheres não acontece no nível populacional. "O boicote está no partido e nas regras", assegurou.
Muitas deputadas estaduais, que fazem parte desses 10% citados por Ana Alice, aproveitaram o seminário para reafirmar a necessidade de politicas públicas capazes de dirimir os problemas enfrentados. "As mudanças só acontecerão quando um número maior de mulheres se engajarem na vida pública e começarem a lutar em prol da saúde, educação e habitação", salientou Maria Luiza Laudano, (PT do B).
"Apesar de algumas de nós terem alcançado o poder, é preciso debater não só as questões da cotas, e sim políticas públicas de valorização da mulher", enfatizou a peemedebista Marizete Pereira, destacando as vitórias alcançadas nos últimos anos, como a aprovação da Lei Maria da Penha e a criação e implantação das Varas de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. "Além de procriar, criar e desempenhar atividades domésticas, teremos um papel de estímulo muito importante. Como existe a cultura do acomodar, existe a cultura do subverter. E precisamos de mais mulheres na política", destacou a petista Fátima Nunes.

PROGRAMAÇÃO

Continuando os debates, ainda hoje ocorrerão palestras abordando a temática de gênero. A partir das 8h30, Paula Arcoverde Cavalcante, da Uneb, versará sobre a Gestão Pública com o recorte de Gênero. No transcorrer do encontro, Adriana Freire Soares, técnica legislativa, também exporá suas idéias. Pela tarde, Beth Batista falará sobre orçamento e gênero.



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