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Targino Gondim é cidadão baiano

Publicado em: 13/11/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Durante a sessão musical, o Coral da Assembleia se apresentou também com três canções
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A Assembleia Legislativa concedeu ontem título de cidadão baiano ao forrozeiro Targino Gondim, por relevantes serviços prestados à Bahia. A homenagem foi proposta pelo deputado Roberto Carlos (PDT) em coautoria com Pedro Alcântara (PR). Gondim é pernambucano de Salgueiro, mas, com apenas 2 anos de vida, cruzou o Rio São Francisco e os 270 km que separam sua cidade natal de Juazeiro, junto com os pais e os nove irmãos. Isso foi há 35 anos e, desde então, não deixou mais de ser baiano, condição agora reconhecida pelo título honorífico.
A sessão especial reuniu boa representação de Juazeiro, tendo na mesa vários de seus políticos e, no plenário, amigos, parentes e conterrâneos de Targino. Além dos autores, Misael Neto (DEM) se fez presente, assim como os deputados federais Jorge Khoury e João Almeida. Elmar Nascimento (PR), de Campo Formoso, também prestigiou o evento, assim como o comandante de Policiamento da Região Norte, coronel Mendes, e o irmão de Targino, Otoniel.
O primeiro a se pronunciar foi Pedro. Demonstrando grande afinidade com a família do homenageado, elogiou a iniciativa do colega, Roberto Carlos, e disse que, assim que soube da existência do projeto de resolução que propunha o título, pediu ao autor para coassinar, no que foi atendido. Ele considera que Targino é um dos mais autênticos discípulos de Luiz Gonzaga e lembrou que o Festival Internacional da Sanfona, idealizado e concretizado por Gondim, virou um marco de Juazeiro. "Estávamos conversando há pouco e ele me disse que vai fazer o festival novamente. Quero dizer que esta Casa dará total apoio", disse o parlamentar.
Roberto Carlos ocupou a tribuna logo em seguida para agradecer a todos aqueles que cruzaram os mais de 520 km que separam Juazeiro da capital "para presenciar esse momento histórico". O pedetista disse que considera a concessão de título uma iniciativa muito importante e, por isso, foi econômico em anos de Parlamento, vindo a tomar iniciativa agora, para homenagear o músico. O mesmo já havia feito Pedro, deputado de sexto mandato, que informou ser esta sua quarta homenagem neste sentido.

ACLAMAÇÃO

"O que fazemos aqui, na Casa do Povo, é apenas confirmar a aclamação das ruas e esse rapaz que o povo me apresentou me deu muito orgulho de ser proponente deste título", definiu Roberto Carlos, partindo para o elogio: "Bom filho, bom irmão, bom pai, bom amigo, e com certeza é e continuará sendo um ótimo cidadão baiano."
No discurso, o deputado lembrou que Gondim sempre declarou seu amor pela Bahia e contou como a sanfona entrou na vida daquela família. O pai, também Targino, comprou o instrumento, mesmo sem saber tocar, e começou a tomar aulas com Eugênio, irmão de Luiz Gonzaga. Em troca, ensinava ao sanfoneiro a dirigir caminhão, ofício que o trouxe à Bahia e terminou fazendo com que se fixasse aqui, em 1974, durante a construção da Barragem de Sobradinho.
Seu Targino, continuou o parlamentar, incentivou o filho a tocar a sanfona e o aconselhou a aprender com o Rei do Baião, no que foi atendido. Mas a jornada não foi fácil. Quem contou foi o próprio homenageado, lembrando os 12 anos. "No início eu gostava, mas tinha vergonha de tocar sanfona, porque era considerado um instrumento de matuto", disse. Mesmo assim, a paixão foi maior e ele teve como mestres não só Luiz Gonzaga, como Dominguinhos, Zé Dantas, Patativa do Assaré, entre outros. "Recebi muitos foras nas rádios, quando levei meu primeiro disco para divulgar, mas recebi muito apoio aqui na Bahia", contou, ressaltando que seus parentes são baianos, seus amigos são baianos e toda a sua história também.
Falando sobre a carreira, cantarolou o primeiro sucesso que emplacou. "Apareci até na televisão, aí eu vi que tinha virado artista", brincou, lembrando que, antes de viver de música, ganhou a vida como diagramador do Jornal de Juazeiro. Mas foi com Esperando na Janela, música dele, Manuca Almeida e Raimundo do Acordeon, que Targino ganhou o país. Regina Casé ouviu e pediu para que fosse tema do filme Eu Tu Eles. Depois foi a vez de Gilberto Gil gravar.
Ao encerrar seu breve discurso, ainda da tribuna, Targino pegou a sanfona, se juntou ao zabumbeiro e ao triângulo e fez o que mais sabe. Cantou Vida de Viajante, de Luiz Gonzaga, e Quem Me Levará Sou Eu, de Manduka e Dominguinhos, além, é claro, de Esperando na Janela. Durante a sessão, o Coral da Assembleia se apresentou também com três canções.
O presidente Marcelo Nilo, que demonstrou grande satisfação durante toda a sessão, ressaltou o fato de o título ter sido concedido por unanimidade e elogiou a iniciativa do deputado Roberto Carlos. "Não sou um homem fácil de me emocionar, mas confesso que esta sessão de hoje me tocou", disse.



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