"Que escola queremos e quais os caminhos para de fato construirmos esta escola". Este é o questionamento do deputado Bira Corôa (PT), presidente da Comissão Especial de Promoção da Igualdade e proponente da audiência pública sobre o ensino médio na Bahia, realizada na última terça-feira, na Assembleia Legislativa.
Segundo o parlamentar, o objetivo desta audiência foi promover um debate sobre a realidade do ensino médio e a busca de novas perspectivas para a educação no estado. Além da comissão que o deputado lidera, a Cipó - Comunicação Interativa, ONG que atua na área da educação há dez anos, promoveu este encontro, que contou com a participação de estudantes baianos, parlamentares, representantes de instituições e da Secretaria de Educação da Bahia.
O desempenho insatisfatório da realidade do ensino brasileiro motivou a ONG a buscar o Ministério da Educação e propor ações conjuntas para melhorar o setor no país. "As organizações sociais jamais vão substituir o papel dos professores ou gestores no ambiente escolar. Temos um respeito muito grande por eles neste processo. A nossa intenção é apenas contribuir, somar", afirma Daniela Rocha, coordenadora executiva da Cipó.
De acordo com Bira Corôa, expor o processo de monitoramento de políticas públicas, desenvolvido por sete adolescentes da articulação juvenil Rede Sou de Atitude, baseado no modelo de trabalho proposto pelo núcleo de mobilização e ação política da Cipó, foi o grande motivador desta audiência. "Estes jovens estão observando as suas escolas com olhar crítico, focando nos problemas que consideram mais cruciais no ensino médio. Trazer este exercício de controle social para esta Casa Legislativa é importante para a promoção de mudanças", ressalta o petista. Esta iniciativa foi parabenizada pela deputada Fátima Nunes (PT): "É imprescindível tratar a educação com tamanha amplitude, coloco-me parceira nesta caminhada".
O envolvimento dos alunos nos problemas da escola juntamente com os professores, gestores e poder público é defendido por Daiane Santos, estudante e membro da Rede Sou de Atitude, como fator importante para chegar a diagnósticos e soluções.
A necessidade de melhoria na gestão do colegiado escolar é um fator observado tanto por Daiane quanto pela Secretaria de Educação. "O processo de mobilização pedagógica dentro da escola cabe ao colegiado. A comunidade escolar deve cobrar mais do diretor eleito por ela, fruto do grande avanço da escolha direta para gestores, no último ano", sugere Gilson Lima, coordenador técnico do ensino médio da SEC. Ele ainda evidencia que o repasse é o mesmo destinado a todos os colégios, no entanto, a aplicação deste varia de acordo com a gestão.
Para a docente Rosilene Araújo, da Escola Estadual David Mendes Pereira, as escolas devem ser dotadas de profissionais capacitados, tais como psicólogos, que auxiliem na formação do indivíduo. "A política pública completa voltada para educação deve ultrapassar os muros da escola e atingir o lar dos alunos".
Este mesmo ponto de vista é compartilhado por Anderson Bezerra, universitário, ex-aluno do ensino médio do Centro de Ensino Experimental Ginásio Pernambucano. "A escola deve preparar um cidadão, uma pessoa capaz de ultrapassar os arredores de sua família, de sua comunidade e compreender o mundo", diz ele, apoiando-se em um importante programa experimental executado em cerca de 150 estabelecimentos de ensino espalhados por alguns estados do Nordeste.
REDES SOCIAIS