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Comissão da Igualdade debate as reivindicações de Cassange

Publicado em: 02/09/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

O petista Bira Corôa, presidente da Comissão Especial de Promoção da Igualdade, dialoga na reunião com Fátima Nunes, sua colega de partido
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"Não podemos negar que o abandono da comunidade Fazenda Cassange por parte do poder público é bastante vigente". Com base nessa afirmação, o deputado Bira Corôa promoveu, ontem, na Assembleia Legislativa, uma audiência pública da Comissão Especial de Promoção da Igualdade, para debater sobre as demandas sociais da comunidade que vive no entorno da Área de Proteção Ambiental Joanes/Ipitanga. De acordo com o parlamentar, a comunidade de Cassange, que atualmente possui uma população de 60 mil habitantes, tem enfrentado muitos problemas pela falta de água tratada, esgotamento sanitário, meios de transporte urbano, escolas, coleta de lixo, posto de saúde, creches, iluminação e asfaltamento.
"Vejo a carência de tudo isso, na verdade, nós não temos nada, nem mercado e nem farmácia, então precisamos de muita coisa", ressaltou a presidente da Associação Cassange, Maria da Paz, que afirmou ser muito difícil de conviver num bairro com tais condições. Segundo Wilson Magalhães, que também faz parte da associação, a população está cansada de esperar para ter o que é de direito de qualquer cidadão, lembrando que a comunidade pertence ao município de Salvador, mas parece não existir perante a situação.
O coordenador da Cooperação Coopercassange, Ângelo Correia, lembrou que nem as ambulâncias conseguem ter acesso ao local quando necessário, nem os deficientes físicos conseguem meio de transporte. "Os únicos veículos que ainda circulam pelo bairro como, por exemplo, as vans, não têm capacidade para atender à demanda da comunidade, além de não serem apropriados para pessoas com necessidades especiais", comentou o coordenador, que destacou a falta de água tratada como outra grande necessidade da comunidade, pois a água hoje usada, além de estar em péssimas condições, não é suficiente, levando em consideração que a comunidade tem sido atendida por um caminhão-pipa.
No mesmo sentido, o representante da Embasa, Luiz Reynaldo Fagnani, afirmou que, devido à falta de saneamento e armazenamento adequado, as águas provavelmente estão sendo contaminadas. Ele também afirmou que espera-se que dentro de 30 dias o projeto de distribuição de água para toda a comunidade será aprovado, para que possa ser realizada a licitação da obra e por fim sua execução. Porém, ele lembra que apesar da grande necessidade do bairro, esse processo leva um tempo.
Em decorrência da ausência do presidente da Conder, Milton de Aragão Bulcão Villas-Bôas, a representante do órgão, Indira Calhau, ficou responsável por repassar à companhia as reclamações e sugestões da comunidade para que providências sejam tomadas quanto à situação do bairro. Os representantes da Cassange também questionaram a ausência da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), do Departamento de Infraestrutura de Transportes (Derba), da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), da Secretaria de Saúde (Sesab), da Secretária de Educação (SEC), da Secretaria de Planejamento (Seplan) e da Prefeitura de Salvador. "Seria muito gratificante para a gente se os órgãos convidados estivessem presentes, pois estamos cansados de reunir e nada mudar em nossa comunidade", declarou Wilson Magalhães. Para Sinésio Ramos, que é representante da Comunidade Raposo e Aratú, a falta de organização e união dos órgãos dificulta a resolução dos problemas que afetam a comunidade. "É preciso que seja feito um trabalho em conjunto para que as informações não fiquem no meio do caminho", ressaltou ele.
Já a deputada Fátima Nunes acredita que se a comunidade continuar se organizando e trazendo esse debate para o "centro", a fim de pressionar os órgãos responsáveis no Estado, tudo pode ser resolvido.



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