Sessão especial realizada na manhã de sexta-feira, na Assembleia Legislativa, relembrou os 30 anos do Congresso na Bahia que reconstruiu a União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1979. Proposto pelos deputados Yulo Oiticica (PT) e Javier Alfaya (PC do B), o encontro foi aberto pelo presidente da AL, deputado Marcelo Nilo, e teve a presença de deputados, vereadores, ex-dirigentes da entidade, representantes do movimento estudantil e da universidade, como o reitor da Ufba, Naomar Almeida.
O início da sessão foi marcado pela quebra do protocolo. No lugar dos tradicinais discursos, houve uma exibição de fotos do congresso realizado entre 29 e 30 de maio de 1979 no Centro de Convenções de Salvador. Chamado de "Congresso da Reconstrução", o 31º Congresso da UNE é considerado um evento histórico, por ter marcado o fim de 13 anos de ilegalidade da entidade, no momento que crescia a pressão sobre a ditadura militar. A Assembleia, afirmou Marcelo Nilo, vai inclusive republicar o livro com as imagens do congresso.
Ao exibir as fotos, Javier fazia comentários sobre os personagens do movimento estudantil da época. E lembrou que, durante o congresso, soltaram um pó branco no auditório que levou muitas pessoas ao posto médico instalado no Centro de Convenções. "Houve um apagão e de repente soltaram um pó branco que provocou a irritação nos olhos de muita gente", lembrou Javier. "Foi um momento difícil porque nós pensamos que era uma bomba", acrescentou Ruy Cezar, eleito o 1º Presidente da Reconstrução da UNE e presente à sessão especial de ontem.
HISTÓRIA
Após a exibição de fotos foi a vez de Yulo Oiticica falar sobre a importância do movimento estudantil. "A história da UNE faz parte da história de nosso país e da luta pela democracia", afirmou o deputado petista. Yulo destacou que, nesses últimos 30 anos, a UNE desempenhou um papel importante no enfrentamento da ditadura militar. Mas lembrou que a presença da entidade na vida do Brasil é mais antiga: 70 anos. "A UNE lutou contra as idéias nazi-facistas e teve um papel destacado na campanha ‘o petróleo é nosso’". Yulo destacou também a luta da entidade pela reforma universitária.
Em seu discurso, Javier ressaltou o papel do movimento estudantil – "junto com o movimento operário do ABC paulista, liderado pelo hoje presidente Lula"– para "quebrar a dureza" do regime militar. "Outras entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) também lutaram contra a ditadura, mas o movimento estudantil, assim como o operário, conseguiu sair de seus ambientes originais e chegou às ruas", definiu ele.
Ex-vice-presidente da UNE e atual vice-presidente estadual do PT, Ademário Costa lembrou que, em outros momentos recentes da vida nacional, a UNE teve um papel destacado. "Em 1992, quando todos ainda estavam na ressaca da queda do Muro de Berlim, a UNE foi para as ruas e mobilizou não só a juventude brasileira como toda a sociedade para derrubar um presidente (Fernando Collor)", afirmou Costa.
Já Ruy Cezar definiu: "Fazer parte da UNE é uma experiência que toca a gente para sempre". A sessão terminou com todos de punhos fechados, braços levantados e repetindo juntos: "A UNE somos nós, nossa força, nossa voz".
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