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Exposição retrata a história da União Nacional dos Estudantes

Publicado em: 11/08/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Os painéis contando a memória do movimento estudantil já passaram por diversas localidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasilia
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A União Nacional dos Estudantes (UNE) é uma das principais organizações da sociedade civil brasileira, com uma longa história de lutas e conquistas ao lado do povo brasileiro. Fundada em 11 de agosto em 1937, durante o Conselho Nacional de Estudantes, no Rio de Janeiro, completa seus 72 anos com presença nos principais acontecimentos políticos, sociais e culturais do Brasil.
"A UNE defende os direitos da juventude em defesa de um novo modelo de educação como parte fundamental de um projeto de nação brasileira, culturalmente desenvolvida e politicamente avançada". Frases como essas de Javier Alfaya (PCdoB) e de outros membros que participaram da União Nacional Estudantil (UNE) estão estampadas em banners espalhados no Saguão Joseph Marinho, entrada principal da Assembleia Legislativa.
A Exposição Memória do Movimento Estudantil, que começou ontem e vai até 14 de agosto, é organizada pelo deputado Javier Alfaya, que foi presidente da entidade em 1981 e 1982.
Além da exposição que faz parte do processo de comemoração dos 30 anos de "Reconstrução da UNE", o deputado também propôs, para o dia 14, uma sessão especial onde muitos lideres e ex-membros do movimento estarão presentes para dar seus depoimentos e contar suas histórias.

ITINERANTE

Patrocinada pela Petrobras, a exposição é itinerante. Após percorrer alguns estados brasileiros como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasilia, este mês estará em Salvador. Além de passar por várias universidades da capital, se estenderá para outras cidades da Bahia.
A exposição aborda todo o processo histórico da evolução da UNE no Brasil. Desde a luta pelo fim da ditadura do Estado Novo, atravessando a luta do desenvolvimento nacional, a exemplo da campanha do Petróleo, os anos de chumbo do regime militar, as Diretas Já, o movimento dos "caras-pintadas" que influenciaram a opinião pública com a campanha "Fora Collor" e pressionaram o ex-presidente à renúncia.
Elaborados com recortes de revistas, jornais, textos da época, fotografias de líderes estudantis, os banners chamam atenção pelo seu tamanho e pelo seu jogo de cores. Fazem os visitantes entrar no universo das vitórias e reveses da UNE.
Mostra a luta durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando denunciou o "ataque neoliberal" ao país, repudiando as privatizações, os privilégios ao capital estrangeiro e o descaso com as políticas sociais e com a educação. "É bom saber que os estudantes fizeram parte de movimentos decisivos na Historia brasileira. É gratificante saber que tivemos um papel marcante nos anos FHC, onde defendemos o ensino público de qualidade e democrático", destacou o estudante de Publicidade, Manoel Arthur, 23, que com olhar atento foi lendo toda a trajetória do movimento.
Ainda na exposição, o público, além de conhecer um pouco de movimentos culturais brasileiros, como o Centro Popular de Cultura (CPC), que é o mais famoso, onde nos anos de 60 animou a cena artística brasileira com novas e ousadas experiências no campo da pesquisa e da produção cultural, também pode conhecer através de fotografias o lado triste vivido pela UNE. Em fotografias preto e branco, o público viaja no tempo da ditadura, quando o sistema de repressão perseguiu, prendeu, torturou e/ou executou centenas de brasileiros, muitos deles estudantes. "Sem dúvida, nessa exposição as fotos falam pelos acontecimentos. Nem precisamos ler as manchetes dos textos, basta apenas olhar estas imagens que imediatamente sabemos a que época da história brasileira elas nos remetem", ressaltou o estudante Antonio Carlos, 19 anos.



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