O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, decretou luto oficial de três dias em reverência à memória do ex-deputado Fernando Daltro, que veio a falecer em decorrência de longa enfermidade, determinando o hasteamento da bandeira da Bahia à meia altura. Ele manifestou seu pesar e solidariedade aos familiares do ex-parlamentar, de quem destacou a seriedade, espírito público e lhaneza. Também encaminhou ao féretro uma coroa de flores em nome da Casa que "Fernando Daltro tanto dignificou nos mandatos populares que exerceu".
Marcelo Nilo foi surpreendido pelo falecimento do ex-deputado em viagem e, estando a Casa em recesso, se fez representar na solenidade de cremação pelo chefe da Procuradoria Jurídica da Casa, Graciliano Bonfim, colega de Daltro. Na Assembleia Legislativa, o desaparecimento do ex-parlamentar causou comoção. Os deputados Reinaldo Braga (PSL) e Jurandy Oliveira (PRTB), que foram seus colegas em duas Legislaturas, a 10a e a 11ª, entre 1983 e 1991, lamentaram o falecimento e elogiaram o seu espírito público.
LEMBRANÇA
Para Reinaldo, marcou indelevelmente a vida pública de Fernando Daltro a sua retidão de caráter e o amor que devotou à Bahia e aos baianos, trabalhando sempre em prol do bem comum e em busca do desenvolvimento com justiça social para o estado. Decano do Legislativo estadual, Braga lembrou que a carreira política do colega começou como vereador, depois prefeito em Jacobina, assumindo o seu primeiro mandato como deputado estadual em 1975, sendo reeleito em outras três oportunidades até 1991, quando deixou de atuar como parlamentar.
Jurandy Oliveira lembrou que Fernando foi um deputado estadual aplicado e louvou a sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública, entre 1989 e 1990, frisando ainda a sua postura cortês e educada que "a todos cativou nesta Casa". Tanto Jurandy (natural de Ipirá) como Reinaldo Braga (natural de Xique-Xique) compartilharam com Fernando Daltro (natural de Jacobina) as "aflições" de representar municípios do semi-árido, zonas "sofridas" que os levou algumas vezes a atuar de forma conjunta na busca de benefícios para as comunidades que representavam – a despeito de suas posições partidárias.
CARREIRA
Fernando Daltro completaria 80 anos no dia 17 de setembro e deixa viúva, dona Edna, e três filhos. Era advogado formado pela Universidade Federal da Bahia em 1953, atuando ainda como professor. Iniciou a vida partidária em 1962, quando se elegeu vereador em Jacobina, sendo, em 1971, eleito prefeito daquela cidade. Deixou o cargo em 1974, elegendo-se em seguida deputado estadual e assumindo esse posto em março do ano seguinte. Cumpriu quatro mandatos, tendo se licenciado entre 1989 e 1990 para assumir a Secretaria Estadual de Segurança Pública. Ele concorreu ao cargo de vice-governador na chapa encabeçada pelo ex-governador Roberto Santos, que não logrou êxito. Voltou a advogar e a atuar empresarialmente.
Na Assembleia Legislativa foi 2º vice-presidente da Mesa Diretora (1977-1979); relator geral da Assembleia Constituinte (1989) e presidente das seguintes comissões: Constituição e Justiça (1975-1976, 1987-1988), Educação, Esporte e Serviços Públicos (1986); vice-presidente das comissões: Educação e Serviços Públicos (1983-1984), Educação, Esporte e Serviços Públicos (1985); titular das comissões: Educação, Esporte e Serviços Públicos (1982, 1987-1990); Minas, Energia, Ciências e Tecnologia (1985); Desenvolvimento Econômico (1979), Educação, Saúde e Serviços Públicos (1981), Direitos Humanos (1990), Defesa do Consumidor (1990) e das comissões Especiais de Reforma da Constituição (1980), Criação de Municípios (1981), da Seca (1983), CPI das Sementes e Minas e Energia (1985), CPI da Nordeste Linhas Aéreas (1988); suplente das Comissões: Proteção ao Meio Ambiente (1985), Educação, Saúde e Serviços Públicos (1975-1976), Turismo (1979), Constituição e Justiça (1983-1986, 1990), Finanças e Orçamento (1981-1982, 1986).
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