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Vigilantes reivindicam direitos em audiência no Legislativo

Publicado em: 10/06/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Os trabalhos da Comissão de Promoção da Igualdade da Assembleia foram marcados por debates acerca dos problemas enfrentados pela categoria
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O Dia do Vigilante na Bahia não passou em branco na Assembleia Legislativa. A categoria se reuniu ontem em audiência pública realizada pela Comissão de Promoção da Igualdade, mas o encontro não foi marcado por homenagens. Os vigilantes aproveitaram a audiência, presidida pelo deputado Yulo Oiticica (PT), para discutir os problemas enfrentados pelos profissionais do setor, sobretudo os cerca de nove mil que trabalham como terceirizados para o governo, e encaminhar medidas concretas para resolvê-los.
No encontro, o presidente do Sindicato dos Vigilantes da Região Metropolitana, Geraldo da Silva Cruz, fez uma série de denúncias. Dentre as quais, a de que a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) baixou uma norma proibindo os vigilantes de comer nos refeitórios dos hospitais da rede estadual. E o problema, acrescentou ele, não se restringe às unidades de saúde. "Na Justiça do Trabalho, os vigilantes são obrigados a fazer suas refeições nos banheiros", acusou.
O que mais preocupa a categoria, no entanto, são os constantes atrasos de salários para os vigilantes terceirizados que trabalham para o governo do Estado. "O que nós queremos é que os terceirizados recebam seus salários no mesmo dia que os servidores estaduais", afirmou. Segundo ele, a maioria das empresas que atrasam os salários dos vigilantes alega que o problema é a demora no repasse de recursos por parte do governo do Estado.
Já para o diretor do Sindicato dos Vigilantes do Estado da Bahia (Sindvigia), Cláudio Santos, a terceirização é sinônimo de precarização da atividade do vigilante. "Nosso sonho é que os vigilantes sejam contratados diretamente pelo governo do Estado", diz. Segundo ele, recentemente, um vigilante se suicidou em Paulo Afonso por conta dos constantes atrasos salariais. "Isso acaba causando um grave problema para a vida do trabalhador", denunciou Geraldo da Silva Cruz.
Depois de ouvir atentamente os trabalhadores, o deputado Yulo Oiticica propôs uma série de encaminhamentos – todos eles aprovados pelos representantes dos vigilantes presentes na audiência de ontem. O primeiro foi a criação de uma comissão permanente com representantes dos trabalhadores e da assessoria de Yulo e do deputado Bira Corôa, presidente da Comissão de Promoção da Igualdade, para discutir e tentar resolver os diversos problemas da categoria.
Yulo sugeriu também que sejam investigadas as razões que levaram o vigilante de Paulo Afonso a se matar. "Isso é um caso muito sério e que precisa ser apurado". Os deputados, em nome da comissão, também encaminharão ofício aos secretários de estado para saber se de fato os vigilantes foram proibidos de almoçar nos refeitórios junto com os outros profissionais de saúde. Eles ainda decidiram marcar uma audiência com o governador Jaques Wagner para tentar resolver os problemas enfrentados pela categoria.



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