A extinção da Superintendência Regional Centro-Leste da Infraero, que tinha sede em Salvador, foi discutida ontem pela Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo da Assembleia Legislativa. Para debater o assunto, estiveram no colegiado a diretora do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Solange Farias, e o diretor do Sindicato Nacional dos Aeroviários, André Carvalho Silva. Os dois criticaram bastante a decisão da Infraero de extinguir a regional e transferir as atividades e o orçamento da unidade para o Recife, sede da Regional Nordeste.
A superintendência na Bahia deixou de existir no último dia 1o de abril, após quatro anos da sua criação, em 2005. Na época em que foi criada, era uma solução para desafogar a Regional Nordeste (Recife), então na administração de 13 aeroportos. Quatro deles migraram para a gestão de Salvador. Com a extinção, o orçamento de R$ 88 milhões para 2009 da regional migrou para o Recife e uma parte também para Brasília. O valor se refere ao montante reservado pelo orçamento da União aos aeroportos de Salvador, Ilhéus, Paulo Afonso e Aracaju, que eram administrados na Bahia.
"Acredito que é uma perda de status para a Bahia, ainda mais quando se sabe que o movimento no aeroporto de Salvador hoje é de seis milhões de passageiros, dois milhões a mais do que o do Recife", observou Solange Farias. De acordo com ela, com a transferência, boa parte dos aeroportuários da Bahia teve perda nos rendimentos. "O trabalho continua o mesmo, mas tivemos redução nos salários", garante ela.
O deputado Ivo de Assis (PR), presidente da Comissão de Infraestrutura, contou que os integrantes do colegiado já tentaram marcar, por duas vezes, sem sucesso, uma audiência com Nelson Jobim, ministro da Defesa (pasta responsável pela Infraero). O deputado Pedro Alcântara (PR) também fez duras críticas ao ministro. Para Alcântara, a decisão de extinguir a Regional Centro-Leste foi política, sem qualquer embasamento técnico. "O ministro Jobim trata a Infraero como se fosse uma varanda da casa dele", afirmou. Junto com a Regional Centro-Leste foram extintas outras três superintendências regionais.
Outro assunto discutido ontem na comissão foi a regulamentação da atividade de mototaxista em Salvador. Os representantes da categoria denunciaram a perseguição da Polícia Militar aos mototaxistas, sobretudo na região de Cajazeiras. "Não é possível que um trabalhador seja espancado por um policial depois de ser perseguido só porque estava tentando ganhar o pão de cada dia", reclamou o presidente do Sindimoto, Henrique Baltazar. Segundo ele, diferentemente de Salvador, municípios da região metropolitana como Camaçari e Lauro de Freitas já regulamentaram a profissão.
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