A expansão dos plantios de eucalipto no extremo sul da Bahia voltou a dominar os debates da Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa. Depois de ouvir o Ministério Público e os representantes da Veracel Celulose S.A., os integrantes do colegiado receberam ontem a diretora do Instituto de Meio Ambiente (IMA), Beth Wagner, que falou sobre o diagnóstico que o órgão está preparando sobre a situação ambiental da região – considerada a melhor área do mundo para o plantio de eucalipto.
E os debates sobre a expansão da cultura, considerada predatória pelo Ministério Público, não vão parar por aí. A comissão já agendou para a primeira quarta-feira de agosto uma grande audiência pública para discutir o problema. Devem participar do encontro secretários estaduais (Agricultura, Meio Ambiente, Planejamento, dentre outros), representantes de organizações não-governamentais e universidades, além de prefeitos da região cujos municípios possuem áreas com cultivo de eucaliptos.
"Acredito que nós podemos deixar um grande legado se conseguirmos estabelecer um modelo de desenvolvimento para o extremo sul da Bahia", avaliou o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Gaban (DEM). Beth Wagner tem a mesma opinião: "Concordo que será engrandecedor para todos nós se fizermos um planejamento estratégico para o desenvolvimento daquela região."
IMPOSTOS
Beth ressaltou a importância da Assembleia Legislativa nessa questão, já que a ação do IMA, admitiu ela, se limita à questão ambiental. "Precisamos reunir as diversas áreas do governo do Estado, os prefeitos e os empresários para definir, por exemplo, os parâmetros máximos de ocupação dos municípios com as plantações de eucalipto. E o papel da Assembleia é muito importante nesse sentido", acrescentou. Para ela, é preciso definir também a questão da distribuição de impostos e tributos pagos pelas empresas de celulose. "Hoje, praticamente toda a receita vai para Eunapólis, onde as fábricas estão instaladas, enquanto os outros municípios só ficam com o osso."
Tanto Gaban quanto Beth Wagner estão preocupados com a expansão das fazendas de eucalipto nos municípios do extremo sul. Cerca de 50% do município de Nova Viçosa, segundo dados do IMA, por exemplo, pertencem à Suzano Papel e Celulose e à Aracruz Celulose. As duas empresas são proprietárias ainda de 42% das terras de Alcobaça, 38% de Mucuri e 38% de Caravelas. Já a Veracel é dona de 34% de toda a área de Santa Cruz Cabrália, 33% de Eunapólis, 23% de Itagimirim e 18% de Belmonte. As plantações de eucalipto ocupam quase a totalidade dessas áreas.
"Quando metade do município pertence a uma empresa, como é o caso de Nova Viçosa, fica até difícil para a prefeitura definir os rumos que serão tomados", avaliou Beth Wagner. Ela fez questão de frisar que esses dados se referem a toda a área do município e não apenas à área destinada à agricultura. "Ainda tem as áreas habitadas. Por isso, a percepção dessas populações é de que todo o município está tomado pelo eucalipto", observou Beth Wagner.
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