Maior segurança das cargas que transitam pela capital, diminuição do fluxo de caminhões no centro da cidade, solução dos engarrafamentos na Rótula do Abacaxi, ampliação do número de faixas transitáveis, construção de passarelas e ciclovias e potencialização dos bairros do Comércio. Essas foram algumas das vantagens apontadas pelos palestrantes que compareceram ontem à Assembleia Legislativa para expor a respeito da construção da Via Expressa Baía de Todos os Santos, a Via Portuária, que interligará a BR-324 ao Porto de Salvador, vista como uma das principais obras do governo, envolvendo recursos da ordem de R$ 380 milhões, oriundos do PAC, do Ministério da Cidades e do Estado.
Segundo o deputado Javier Alfaya (PCdoB), que coordenou a reunião, este evento faz parte do procedimento de um "governo democrático", que vem promovendo audiências públicas, objetivando esclarecer a população. "Nos chegam dúvidas de todos os tipos, por isso esta abordagem mais ampla. Hoje (ontem) vamos nos dedicar mais sobre as desapropriações e indenizações", frisou Javier, relatando que este encontro é o 16o ocorrido para debater a temática.
Armindo Gonzales Miranda, representando a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, Conder, disse que uma das principais preocupações do órgão e do governador é a situação que poderá ser provocada pelas desapropriações, uma vez que algumas casas, "verdadeiros barracos", não receberão um valor que possibilite a compra de uma moradia digna em outro local da cidade. "A este respeito estamos agindo em conjunto com a Caixa Econômica Federal para viabilizar a implementação do programa Minha Casa, Minha Vida", salientou Armindo, revelando que, depois de um estudo de mercado, verificou-se a necessidade de desapropriar 771 imóveis. Sendo 384 habitacionais e os outros 387 divididos entre comércio, institucionais e serviços.
PREOCUPAÇÕES
Já Agnaldo Pereira, representando os moradores da Estrada da Rainha, uma das localidades que serão cortadas pela nova via, cobrou maior informação dos órgãos responsáveis. Disse ele que "99% das pessoas que residem nos locais atingidos não sabem o que vai acontecer ainda. Todos têm expectativa a respeito das indenizações, mas ainda não vimos nada no papel". Explicitando esta dúvida, Armindo informou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Dnit, já aprovou os parâmetros básicos para que cada família seja indenizada. "A dificuldade é que cada casa tem uma especificidade."
Outra preocupação relatada gira em torno da desapropriação da região da Avenida Heitor Dias, local de grande movimentação financeira, onde funciona um grande centro automotivo, com 56 lojas, gerando aproximadamente 1.800 empregos diretos. Joelson Dourado, presidente do Sindicato dos Comerciários, teme que ocorra desemprego. "É preciso um olhar específico para aquela situação. Esta construção tem que estar clara na cabeça das pessoas. Ainda precisamos ampliar a discussão", concluiu.
Representantes do Dnit, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), da Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente, da cidade de Salvador e inúmeros moradores do entorno geográfico abraçado pela construção compareceram a mais este encontro. Na oportunidade, foram aprovadas, com datas ainda a confirmar, outras discussões.
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