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Dia de África é celebrado na Assembleia

Publicado em: 27/05/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Bira Corôa disse que a sessão de ontem foi mais uma 'etapa na luta contra as injustiças sociais'
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Decorado com cores, estampas e painéis alusivos à cultura negra, o plenário da Assembleia Legislativa, completamente lotado por autoridades internacionais, pelo "povo de santo" e representantes de movimentos negros de todo o estado, ouviu o Hino Nacional brasileiro ser executado, acompanhado de atabaques e berimbaus. Com essa inusitada sinfonia, teve início as homenagens direcionadas ao continente africano na sessão especial dedicada ao Dia de África, comemorado no dia 25 de maio. "Esta sessão é muito mais do que uma celebração, é uma solenidade que marca mais uma etapa na luta contra as injustiças sociais", frisou o deputado petista Bira Corôa, proponente do evento e presidente da Comissão Especial de Promoção da Igualdade (Cepi).
"Nós brasileiros e, principalmente, baianos devemos muito aos irmãos africanos. Como o presidente Lula já o fez, quero em nome do Legislativo baiano pedir desculpas à África pelos anos de escravização", salientou o presidente da Assembleia, o deputado Marcelo Nilo (PSDB). O secretário especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o ministro Edson Santos, revelou que o governo do presidente Lula vem lutando para diminuir a distância entre o Brasil e o continente. Ele ressaltou a aprovação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatória a inclusão de História e Cultura Afrobrasileira nos currículos escolares, atitude vista como um processo educacional capaz de reverter as discriminações, uma vez que velhas óticas, impostas pela elite dominante, serão desconstruídas, mostrando a verdadeira história daquele povo. "Este dia é de reflexão sobre a importância desse continente na formação do Brasil. Muitos de nós não temos conhecimento do que seja a África", concluiu o ministro.
Para Luiza Helena de Bairros, secretária estadual de Promoção da Igualdade, a herança negra não é só medida na cultura, na religião e na ancestralidade. "Os movimentos contemporâneos de luta pela libertação dos países africanos serviram de base para o crescimento e fortalecimentos dos movimentos negros nacionais", destacou a secretária, defendendo que para ser justo qualquer debate que pretenda estreitar relacionamento entre o país e a África não deve ser embasado em uma "mera retórica". Para ela, o governo Jaques Wagner vem estreitando laços, promovendo ações de intercâmbio, capacitando entes no campo de formação de profissionais que atuaram em Moçambique, por exemplo.
Inúmeros embaixadores de países africanos compareceram à sessão especial e não ficaram alheios aos discursos. As funcionárias do cerimonial, posicionadas ao lado de cada um deles, realizavam a tradução simultânea dos discursos realizados. O embaixador de Gana, Samuel Kafi Dadey, agradeceu a homenagem prestada ao continente. "Em nome de todos os países africanos, quero agradecer à Bahia, que é como se fosse a nossa casa", enfatizou Samuel, que falava em nome dos embaixadores da Líbia, Zâmbia, Egito, Tanzânia, Zimbabue e da República de Angola.

ESTATUTO

"Sintonizado com as reivindicações demandadas pela população negra do nosso estado, estamos empenhado para que no dia 20 de novembro deste ano seja sancionado o Estatuto Estadual da Promoção da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa", destacou Bira Corôa, cobrando dos colegas parlamentares que se empenhem nesta aprovação, uma vez que para ele o estatuto se transformará em um instrumento jurídico capaz de implementar políticas públicas. "Feito isso, teremos outros motivos para comemorar o 25 de maio, promovendo políticas de inclusão para o que de mais africano temos na Bahia, o seu povo e a sua cultura", concluiu o petista.
Este pensamento foi corroborado pelo deputado federal Luiz Alberto (PT). "As elites, que sempre negaram o negro, têm obrigatoriedade de reconhecer o estatuto", frisou. Já o presidente da Associação dos Afoxés da Bahia, Nadinho do Congo, cobrou uma maior participação da população negra na política. "Queremos deputados negros e negras defendendo os nossos ideais. Não queremos briga com a elite branca, queremos igualdade de condições."



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