O Dia do Enfermeiro foi comemorado, na tarde de ontem, na Assembleia Legislativa com a realização de sessão especial, logo após o encerramento da ordinária. O evento foi proposto pelo deputado Carlos Ubaldino (PSC) e se constituiu em um manifesto pela redução da carga horária de trabalho da categoria, das atuais 44 para 30 horas, além da regulamentação do piso salarial, de 10 salários mínimos. Durante os trabalhos, foi elaborado abaixo-assinado de apoio ao Projeto de Lei 1.891/07, do deputado federal Mauro Nazif (PSB-RO), que propõe justamente a nova jornada laboral.
A sessão foi prestigiada pelo secretário da Saúde do Estado, Jorge Solla, que ocupou a tribuna para lembrar que a rede pública já adota a jornada de 30 horas. Ele elogiou a iniciativa da Assembleia de trazer o debate sobre a categoria e fez questão de registrar que, nos últimos 20 anos, houve um aumento da presença do profissional de enfermagem no setor público, não só quantitativa, mas qualitativamente, registrando-se uma evolução da categoria. "A maioria hoje dos secretários municipais de Saúde é de enfermeiros", exemplificou o dirigente.
Solla não se furtou a apresentar as realizações de sua pasta. Ele informou que a atual gestão recuperou todos os hospitais e construiu outros, o que vai garantir a oferta de mais de mil novos leitos, 20% da oferta encontrada pela atual administração.
CRUCIFICAÇÃO
Antes do secretário, Ubaldino ocupou a tribuna, logo após a abertura dos trabalhos pelo presidente Marcelo Nilo (PSDB), anunciando que seria conciso, para permitir que os próprios profissionais se expressassem. Mas a brevidade do pronunciamento não impediu que ele deixasse claro seu alinhamento com a causa dos profissionais de enfermagem: "A categoria de enfermagem está sendo crucificada de cabeça para baixo, como Pedro", comparou, lembrando que a dedicação aos doentes e a exposição aos riscos pessoais não estão sendo devidamente reconhecidos.
"O objetivo desta sessão é traçar metas, discutir um piso para que esta categoria seja atendida", definiu, lembrando ainda da jornada exaustiva. "Quarenta e quatro horas de trabalho é inadequada para o enfermeiro, que tem que estar em condições de atender bem", disse, parabenizando Nilo e os demais colegas parlamentares pela sensibilidade em relação ao tema.
Estiveram presentes os deputados Getúlio Ubiratan (PMN), Aderbal Caldas (PP), Adolfo Menezes (PTB), Luiz Augusto (PP), Ângela Sousa (PSC). A deputada Maria Luiza Carneiro (PMDB) participou da mesa, e o líder do governo, Waldenor Pereira (PT), ocupou a tribuna para parabenizar a categoria e relatar a situação contraditória da Bahia, que, apesar de ser a sexta economia do país, é líder nos índices de pobreza, como analfabetismo, falta de habitação, entre outros.
Assim como Ubiratan, foram muitos os pronunciamentos que explicaram a importância da redução da carga horária e do estabelecimento de um piso mínimo. "Não podemos tratar bem com o paciente com uma jornada excessiva", disse Marcia Perrucho, coordenadora do curso de graduação em enfermagem da Unime. Ela contou ser lesionada por excesso de trabalho. Vários pronunciamentos foram pré-definidos tematicamente e coube a Virgínia Perrucho, assistente social do Hospital Octávio Mangabeira, falar sobre cidadania e agentes políticos para transformação, falando didaticamente para concluir que a AL é "a Casa do povo e temos que nos acostumar a ocupá-la."
Ednelza Soares, coordenadora do projeto cultural do Museu Nacional de Enfermagem do Hospital Ana Nery, falou sobre a instituição e a história da profissão. O Dia do Enfermeiro é 12 de maio, data de nascimento da inglesa Florence Nightgale, profissional que atuou durante a Guerra da Crimeia.
Ceres Moraes, que ensina na Unime e no Isba, deixou a tribuna e foi para o meio do plenário falar sobre a formação profissional, mas terminou fazendo um canto de amor à atividade. Em sua fala, empolgou a plateia, arrancou gargalhadas ao negociar com a presidência por mais um minuto de pronunciamento e convocou a todos os presentes. "Somos muitos e deveríamos ser mais fortes, temos que ter consciência de nossa importância, nosso papel, nosso valor", disse. A representante do Sindsalba, Inalba Fontanelle, e Débora Santana também se pronunciaram. A mesa dos trabalhos foi composta ainda pela presidente do Diretório Acadêmico da Unime, Viviane Andrade, e o pastor Joaquim Marques, da Igreja Assembleia de Deus.
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