A Assembleia Legislativa realizou ontem sessão especial para discutir a situação do Parque do Abaeté e seu entorno, reunindo diversas pessoas da comunidade de Itapuã, além de autoridades civis e militares. O evento foi proposto pelo presidente da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo, deputado Ivo de Assis (PR), em função de uma visita do colegiado àquela localidade de Salvador, no início de abril. As reclamações de comerciantes e moradores que se ouviram na ocasião foram levadas ao plenário e, em síntese, revelaram preocupação em relação à segurança, degradação ambiental, abandono e má gestão administrativa.
O deputado Ivo de Assis, mesmo tendo preparado um discurso, inovou na tarde de ontem e preferiu ouvir a se pronunciar, apelando ainda para que os oradores fossem rigorosos com o tempo a eles destinado. O objetivo foi conferir agilidade e dinamismo à sessão, conseguindo fazer um amplo painel da situação de um aglomerado urbano que hoje concentra 200 mil habitantes.
Em relação à segurança, o comandante da 15a Companhia da Polícia Militar de Itapuã, coronel Lázaro Pereira da Luz, se utilizou de imagens aéreas para mostrar a dificuldade de fazer o policiamento da área e detalhou a operação que a Polícia Militar mantém para coibir a violência, ressaltando que, além da sua companhia, o local conta com efetivos da Polícia Montada, que atua nas dunas, do Esquadrão Águia e da Polícia Florestal.
O vereador de Salvador Geovani (PT), por sua vez, considerou que a presença da Polícia Militar fardada inibe os infratores, mas lamentou o tratamento recebido de um efetivo fortemente armado, no dia anterior às últimas eleições, quando recebeu voz de prisão nas dunas do parque, por estar portando uma bandeira petista. Ele foi aplaudido ao pedir o mesmo rigor para a criminalidade que se abate sobre o local, afetando moradores, comerciantes e visitantes. O edil aproveitou para alfinetar a prefeitura municipal, afirmando que ali nada se fez desde 2005. "Repito, nenhum investimento foi feito, o ponto de ônibus do final de linha, por exemplo, está entregue."
O diretor da Unidade de Conservação da Secretaria estadual do Meio Ambiente, Plínio Neto, explicou que o primeiro semestre deste ano está sendo consumido na detecção dos problemas existentes da área, cadastramento de todos os permissionários que atuam no local, dos ambulantes. Ele adiantou que espera iniciar o projeto de reforma das instalações da Lagoa no próximo semestre, atendendo aos requisitos que propicie a atividade econômica, a prestação de serviço público e recupere o equipamento público.
RECURSOS
A presidente da Conder, Maria del Carmem, ocupou a tribuna para anunciar que recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na ordem de R$ 2,6 milhões, serão empregados na área. Desses, R$ 900 mil serão usados na recuperação ambiental e o restante para aperfeiçoar as instalações do parque. Além disso, ela prometeu intervenções ainda este mês para melhorar a vida dos moradores da Baixa do Soronha, que alagou com as últimas chuvas. "Vamos fazer a pavimentação e retirar aquele asfalto meio mentiroso que tem por lá", disse, citando uma das providências, além da recuperação do canal de drenagem.
O nome de Antonio Conceição Reis, ambientalista que lutava pela preservação do parque e foi assassinado na porta de sua casa, em Nova Brasília, há quase dois anos, foi lembrado por Antonio Miguel dos Santos, presidente da Associação de Moradores do Jardim Abaeté, e pela viúva Eliene Reis. Em ambas as ocasiões foi ovacionado pela audiência.
O superintendente municipal do Meio Ambiente, Luiz Antunes, representando o prefeito de Salvador, João Henrique, ocupou a tribuna para dizer que o Abaeté "vai ter um tratamento muito especial", mas explicou que a solução para a área é difícil. "Herdamos uma Salvador que não tinha gestão da ocupação", disse, dizendo que, se for seguir a definição de parque ambiental estabelecido pela Constituição de 1988, a APA do Abaeté não existe. Ele explica que muitas ocupações podem não ser legais, mas são legítimas.
Professor e coordenador da Casa da Música do Parque, Amadeu Alves pediu opções para que a população local tenha acesso à arte e à cultura. "Onde é que eles vão conseguir?", perguntou, acrescentando "nos bares de Itapuã"? Para ouvir a população e apresentar as posições oficiais, estiveram presentes também o capitão Aloysio Herwans, representando o Esquadrão da Polícia Montada, o coordenador do Parque do Abaeté, Jorge Lopes; o diretor do Departamento da Polícia Metropolitana, Ruy Pereira da Paz; o vereador Geovani Barreto (PT); entre outros.
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